Pequim, 3 set (EFE).- A China não está vivendo uma recessão temporária, mas uma queda, segundo legisladores chineses, que se negam a reconhecer o impacto da crise global e da ressaca pós-olímpica em sua economia.

"A inflação nacional, os graves efeitos das nevascas, os devastadores terremotos e a fraqueza da economia global no primeiro semestre do ano estão colocando o país à beira da recessão.

Entretanto, estamos melhorando", afirmou hoje o vice-presidente do Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo, Cheng Siwei.

Em entrevista à TV estatal chinesa, Cheng disse que, segundo os ciclos da economia, a China vive períodos de dez anos e que as décadas de 1990 e 2000 registraram 14% de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos primeiros anos e de recuo para 8% no período restante.

Segundo os analistas, o crescimento do PIB em 2008 se desacelerará até 10%, o que fez renascer teorias sobre a queda do "milagre econômico chinês".

No entanto, Cheng não concorda com esta teoria e ressalta que o crescimento da economia deste ano terá um pequeno retrocesso que durará dois ou três anos.

O principal problema enfrentado pela China, segundo o analista, é combater a inflação enquanto mantém seu crescimento econômico, de dois dígitos nos últimos anos.

As duas tendências "podem ser contraditórias enquanto se estimulam mutuamente", declarou Cheng, que recomenda uma estratégia que possa manter o investimento, o consumo e o nível de exportações, enquanto retém a inflação em menos de 7%.

A inflação é um dos indicadores econômicos que mais preocupam o Governo chinês, por isto bancos e reguladores industriais decidiram aumentar suas cotas de crédito para apoiarem as médias empresas em sua luta contra o aumento das taxas de juros e a seca creditícia.

No início do agosto, o Banco Popular da China (autoridade monetária) aumentou a taxa de juros em 5% para os investidores nacionais e em 10% para os investidores provinciais.

Cheng também sugeriu ajustes para o restante do ano, concretamente para empresas de alta tecnologia e outras relacionadas a proteção ambiental, energia, educação, serviços públicos, serviços sociais e outros similares, que deixaram de ser gratuitos na China há mais de uma década. EFE mz/wr/fal

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