RIO - O diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carlos Langoni, acredita que o Banco Central (BC) poderá reduzir a trajetória de aumento dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 28 de outubro. De acordo com ele, só depois da divulgação dos dados da economia brasileira em setembro - mês em que a crise financeira internacional atingiu seu ápice - é que autoridade monetária deverá decidir se interrompe ou não o ciclo de altas na taxa Selic.

Langoni acredita que o governo pode aproveitar parte da "gordura fiscal" que possui para reduzir gastos ou até aumentar a meta de superávit primário de 4,25% do PIB (checar).

"O ideal seria melhorar o mix da política macroeconômica. Temos grau de liberdade o suficiente para avançar na qualidade do ajuste fiscal e fazer algo de positivo para os marcos regulatórios", disse Langoni que participou hoje do seminário "A Crise Financeira Internacional: Recessão X Inflação", promovido pela FGV e pelo Valor Econômico no Rio de Janeiro. Langoni citou o marco regulatório do pré-sal como oportunidade de dar garantias para investidores estrangeiros manterem o nível de investimentos no país.

Sobre a crise, Langoni diz que o atual momento é de "histeria de curto prazo" e que ainda falta a certeza de qual será o impacto da turbulência na economia real. De acordo com ele, por falta de certeza sobre a profundidade da crise, Langoni, que já presidiu o BC, disse que a entidade terá que tomar uma de suas decisões mais difíceis na próxima reunião do Copom.

Quem também considerou a reunião do BC como complicada foi Fábio Giambiagi, chefe do Departamento de Risco de Mercados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "A próxima reunião do Copom será uma das mais difíceis desde 2003", afirmou, acrescentando que ainda é prematuro tecer considerações sobre a profundidade da crise. "Temos que esperar até o fim do mês."
Já o coordenador do Índice Geral de Preços da FGV, Salomão Quadros, ponderou que o efeito da crise sobre a inflação vai depender do comportamento do câmbio. Segundo ele, apesar de o dólar ter atingido a cotação de R$ 2,18 hoje, há condições para que volte a patamares menores. "Quando tem crise, é normal acontecer um overshooting e o câmbio vai além do que deveria", ponderou. Segundo ele, o Banco Central costuma ser rigoroso, mas não há certeza sobre a necessidade de um novo aperto de 0,75 ponto percentual na próxima reunião do Copom.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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