RIO - A decisão de se debater politicamente o uso que será dado aos recursos obtidos com a exploração do petróleo na região do pré-sal não deveria ter sido colocada antes de se discutir as maneiras de financiamento para esta exploração. A opinião é do diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas (FGV), Carlos Langoni. Para ele, a principal questão é como otimizar um fluxo de investimentos para uma região que pode demandar até US$ 600 bilhões em 15 anos para que se garanta a exploração das áreas já licitadas.

Langoni afirmou ainda que o setor público brasileiro não teria condições de bancar sozinho as necessidades de investimento para desenvolvimento do pré-sal e defendeu o fortalecimento da Petrobras como empresa líder do setor. O economista disse que se deve buscar garantir uma rentabilidade suficiente para as empresas de forma a incentivá-las a continuar investindo no país.

A rentabilidade deve ser compatível com os riscos geológicos e tecnológicos. O Brasil moderno é diferente de economias que optaram pela maior intervenção do Estado o que pode levar a uma estagnação dos investimentos, frisou Langoni, que participou do seminário Os Desafios do Pré-Sal, na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

Langoni lembrou que o atual marco regulatório, firmado há dez anos no âmbito da lei do petróleo, foi o principal motivo para o crescimento da Petrobras e para a própria descoberta da região do pré-sal. É paradoxal que haja críticas ao modelo. O pré-sal não é obra do acaso, é prova do sucesso do modelo, acrescentou.

Quem também criticou o debate político em torno de uma questão de cunho fundamentalmente econômico foi o ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso. Isso é momentâneo. Todo mundo tem o direito inalienável de falar besteira, ponderou Velloso.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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