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Na frente do caixa da rede de fast-food surge a figura de um herói do cinema ou dos desenhos animados. Batman, Scooby-Doo ou um urso panda mestre em kung fu.

Estão todos lá convidando as crianças a pedir uma das refeições da loja e, de quebra, levar um brinde para casa. O problema é que esses lanches podem conter, por exemplo, 70% da quantidade de gordura saturada e sal recomendada para o consumo diário, ou pior: grandes concentrações de gordura trans, responsável pelo aumento do colesterol.

O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) resolveu investigar as características nutricionais das refeições de cinco redes de fast-food. No McDonalds, Bobs, Burger King, Habibs e Giraffas, as refeições são vendidas como "combos" - combinações de lanche, acompanhamento e bebida -, opções que estão longe de qualquer forma de cardápio saudável. Levando-se em consideração a recomendação para crianças de 6 anos - cuja dieta deve ter 1.450 quilocalorias e conter até 16 gramas de gorduras saturadas e até cerca de 1.000 mg de sódio - os combos extrapolam as quantidades indicadas por dia.

Segundo o Idec, o melhor mesmo seria os pais resistirem aos apelos dos filhos. Para crianças de até 3 anos de idade, um kit de fast food pode ultrapassar bastante a quantidade de sódio e de gordura saturada que deve ser consumida durante um dia inteiro e chega a 72% das gorduras totais.

O resultado da superexposição das crianças a essa forma de alimentação pode ser o desenvolvimento precoce de doenças como hipertensão, aterosclerose e obesidade. De acordo com a nutricionista Anita Sachs, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o ideal é que os pais não proíbam essa forma de alimentação, mas também não usem o fast-food para recompensar seus filhos. "Uma vez por mês é mais do que o ideal", diz.

A endocrinologista Lea Diamant, do Hospital Albert Einstein, vai além. Segundo ela, os pais de crianças com peso acima do normal devem banir o fast-food da alimentação dos filhos. "Todo os prejuízos que um adulto tem com essa forma de alimentação, os menores também têm. A aterosclerose, por exemplo, pode se desenvolver em crianças", afirma.

Se resistir aos apelos das crianças parece difícil, a endocrinologista lembra: "Não é a criança que decide. Quem tem que impor as regras é a mãe."

Propaganda

Marcos Pó, do Idec, é um dos que defendem o fim das propagandas de alimentos voltadas para crianças nos pontos-de-venda. Para ele, a publicidade deve ser encarada com uma ação comercial, passiva de regulamentação. "A oferta de um produto deve ser feita sobre suas qualidades e não apelando para os brindes, como fazem as redes de fast-food", diz.

O Idec também identificou a ausência de informações nutricionais nos pontos-de-venda de lojas do Burger King e informações parciais nas outras redes. Procurada pela reportagem, a Burger King afirma que está tomando as providências necessárias para atender às solicitações do Idec no que diz respeito às informações nutricionais de todos os produtos que oferece. O McDonalds afirma que o Mc Lanche Feliz pode ser montado de acordo com a preferência da criança, incluindo vegetais e frutas. A rede Giraffas diz que "uma possível ausência do cardápio nutricional é motivada pela atual troca de layout." Ninguém da assessoria do Habibs foi encontrado na tarde de ontem , e o Bobs afirma disponibilizar informações nutricionais em todas as embalagens de seus produtos.

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