Bruxelas, 3 jul (EFE).- O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, afirmou hoje que um acordo dentro da Rodada de Doha para a liberalização comercial mundial permitiria manter o apoio aos agricultores europeus e só reduziria as ajudas mais perturbadoras.

Lamy assinalou que se os membros da OMC chegarem a um compromisso sobre Doha, a UE poderá manter subvenções para sua agricultura, por um valor compreendido "entre os 80 e 100 bilhões de euros".

O diretor da OMC disse ainda que a UE teria que reduzir somente as medida a favor de seus agricultores, que são "mais perturbadoras" para o comércio internacional, que Lamy cifrou em "um quarto" das ajudas comunitárias.

As declarações de Lamy aconteceram em um discurso feito em uma conferência hoje em Bruxelas, que reúne políticos e especialistas de quatro continentes para estudar o papel da agricultura como solução para a atual crise alimentícia.

O diretor da OMC se referiu à reunião que um grupo de membros deste organismo multilateral realizarão em 21 sobre a Rodada de Doha, iniciada há sete anos e cujo objetivo é aprofundar a liberalização comercial mundial.

"Se decidi reunir 30 países é porque acho que um acordo é factível, embora não seja fato", ressaltou Lamy, que apontou as dificuldades de uma negociação "na qual todos dizem que pagaram muito e receberam pouco, como se isto fosse matematicamente possível".

Lamy disse ainda que a Rodada de Doha surgiu diante da necessidade de "pôr disciplinas" aos subsídios que os países ricos deram durante anos a sua agricultura, para facilitar uma abertura comercial.

O diretor-geral da OMC pediu que se firme um acordo que dê margem "para políticas internacionais, regionais e locais".

"Não acho que a solução para a crise alimentícia seja um bloqueio dos intercâmbios", destacou Lamy.

Desta forma, respondeu às preocupações expressadas pelos agricultores europeus e por países da África, durante a conferência, sobre o impacto que Doha teria nas produções locais. EFE ms/rr

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