O governo Luiz Inácio Lula da Silva não abandonou a promessa de reconhecer a China como economia de mercado. O tema será ressuscitado durante a segunda visita oficial ao Brasil do presidente chinês, Hu Jintao, no dia 16, que se dará logo depois do encerramento da reunião de cúpula do Foro Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).

O governo Luiz Inácio Lula da Silva não abandonou a promessa de reconhecer a China como economia de mercado. O tema será ressuscitado durante a segunda visita oficial ao Brasil do presidente chinês, Hu Jintao, no dia 16, que se dará logo depois do encerramento da reunião de cúpula do Foro Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). Ontem, o embaixador Roberto Jaguaribe, subsecretário de Assuntos Políticos do Itamaraty, declarou que a medida "interessa ao governo brasileiro" e a China pretende "ultimar esse processo". Apesar da pressão de Pequim, o tema parecia ter sido apagado da agenda brasileira. Em especial, por causa das dificuldades que imporia ao próprio governo para a adoção de novas medidas antidumping contra produtos chineses. A preocupação com a maior competitividade desses concorrentes no mercado doméstico e na vizinhança - em parte, em razão de dumping e da desvalorização artificial da taxa de câmbio chinesa - levou o Brasil e a Argentina a adotarem uma força-tarefa, no fim de março, para estudar ações conjuntas contra o país asiático. No dia 5, o próprio Lula salientou que a China estava dominando o mercado argentino "nas nossas barbas". O reconhecimento da China como economia de mercado foi uma das mais controvertidas iniciativas do governo Lula na área comercial. O compromisso fora extraído pelo mesmo Hu Jintao, durante sua primeira visita oficial ao Brasil, em novembro de 2004, e fez parte de um acordo divulgado como prenúncio de uma nova fase das relações econômico-comerciais entre os dois países. A reação do empresariado nacional, especialmente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), levou o governo a um recuo estratégico. Responsável pelo acordo, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) passou a sustentar que a adoção do reconhecimento da China como economia de mercado dependeria do cumprimento de sua parte no acordo bilateral - investimentos, suspensão de barreiras não tarifárias e elevação das importações de produtos brasileiros. Como parte desses tópicos não foi efetivada, o compromisso foi mantido em uma gaveta da Câmara de Comércio Exterior (Camex). Segundo Jaguaribe, esse reconhecimento será automático e inevitável em 2016, quando todos os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) terão de adotar essa posição. A medida está prevista no protocolo de adesão da China à OMC. Moeda. Um dos temas mais polêmicos da cúpula do Foro Bric de 2009, a adoção de uma nova moeda (ou cesta) de referência para as reservas dos quatro países, será amenizado em Brasília, no encontro do dia 16. Segundo Roberto Jaguaribe, a questão não estará na pauta formal do Foro Bric, mas poderá ser discutida no encontro privado entre os quatro líderes. A iniciativa de não incluir esse tópico na agenda reflete a preocupação brasileira em tratar do tema de "forma equilibrada e cautelosa", sem pressa. A adoção de moedas locais nas trocas comerciais entre os quatro países, outro tema explorado no encontro de 2009, também será tratada de forma secundária na reunião de Brasília. O Banco Central deverá promover um seminário para técnicos indianos, russos e chineses para detalhar a experiência desse modelo no comércio Brasil-Argentina. Mas, como reforçou Jaguaribe, não há ainda negociação em curso com tal objetivo no Bric. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>
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