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Kupfer responde: Existe possibilidade de bancos brasileiros possuirem empréstimos subprime de que ninguém saiba?

A crise financeira, que provocou grandes quedas nas bolsas mundiais, inclusive na Bovespa, tem gerado dúvidas e preocupações. O iG preparou responde parte das questões que vêm sendo feitas, mas queremos saber qual é a sua pergunta. O jornalista e colunista do iG José Paulo Kupfer vai ajudar os internautas a resolverem suas dúvidas sobre essa turbulência na economia mundial.

Redação |

  • Existe alguma possibilidade dos bancos brasileiros, grandes ou pequenos, terem empréstimos do tipo subprime, mas ninguém sabe? (Amauri Pierri)

Empréstimos frouxos, com garantias insuficientes, nossos bancos têm. Uma parte dos juros altíssimos que eles cobram é exatamente para cobrir a inadimplência real e potencial. Mas subprime no sentido de uma podridão sistêmica dos empréstimos, isso não tem.

Os bancos brasileiros têm características muito interessantes: não são muito abertos para o exterior e seu relacionamento com o sistema internacional é bem conservador.  Nosso sistema bancário é bastante bem regulado pelo Banco Central e também nós não temos a tradição de desenvolver inovações financeiras.

Isso não chega a ser uma virtude e revela um certo atraso em relação aos bancos americanos e internacionais. Nossos bancos estão mais ou menos nos anos 70 em relação às instituições avançadinhas do mercado americano e internacional. Mas neste momento de crise esse atraso é uma dádiva dos céus, porque a contaminação dos bancos brasileiros é quase nula.

É preciso ressalvar que, embora sejam atrasados do ponto de vista das inovações financeiras, os bancos brasileiros são muito adiantados do ponto de vista operacional, das operações bancárias. Isso não é comum, especialmente em países emergentes. Então nosso sistema está um pouco protegido dos efeitos da crise.

Isso não significa que não haverá restrição de crédito em consequência da situação mundial e já estamos sentido essas consequências. Mas os problemas se devem muito mais a uma espécie de efeito demonstração.

Em vista da situação internacional, nossos bancos estão, neste momento, ficando mais cautelosos e seletivos gerando uma situação conhecida pelos economistas como de empoçamento da liquidez. Os bancos relutam em emprestar, inclusive a bancos menores, ainda que não estejam ilíquidos, ou seja, têm recursos e reservas para operar.

Envie sua dúvida para falainternauta@ig.com.br . Ela será respondida por José Paulo Kupfer e publicada no Último Segundo.

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