A presidente argentina Cristina Kirchner deve continuar governando apesar do revés parlamentar que sofreu na madrugada desta quinta-feira ao ter seu projeto de imposto às exportações derrubado, afirmou o líder da opositora União Cívica Radical (UCR), Gerardo Morales.

"A estabilidade do mandato de governo não está em perigo. Não há situação de golpe de Estado. Não há 'grupos de tarefas'. É preciso dialogar e reconhecer os que pensam diferente", afirmou o senador Morales.

O ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) afirmou nesta semana, em um comício, que havia setores golpistas entre seus partidários e tentativas de destituir a presidente.

O Senado argentino derrubou na madrugada desta quinta-feira a lei que aumentava a pressão fiscal sobre as exportações de grãos e manufaturas agroindustriais, que, no país, totalizam 35 bilhões de dólares anuais.

O projeto havia sido enviado pelo Governo e era motivo de um difícil conflito com os ruralistas.

Com essa medida, o governo esperava arrecadar apenas em direitos alfandegários 11 dos 24 bilhões de dólares que gera a colheita de soja, o principal cultivo do país.

A iniciativa do governo peronista da presidente Cristina Kirchner foi derrubada pelo voto de minerva de um homem de suas fileiras, o vice-presidente da República Julio Cobos, que precisou desempatar uma acirrada votação.

"Não estou traindo a presidente. Que envie outro projeto. Quero que se alcance um consenso. A história me julgará", afirmou o vice, da social-democrata União Cívica Radical (UCR), aliado de Kirchner até esta quinta, quando causou ao governo esta dura derrota parlamentar.

A votação havia finalizado com um empate de 36 e a Constituição estabelece que o vice-presidente da República, titular do Senado, desempate a questão.

A iniciativa deve voltar agora aos Deputados, onde o governo carece dos dois terços necessa'rios para insistir com o projeto aprovado há duas semanas.

A soja ocupa mais de 50% da superfície cultivada na Argentina e é considerada o 'ouro verde' do século XXI' no país, onde toda a oposição se uniu aos agricultores para realizar gigantescas manifestações.

O ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), líder do peronismo e marido da presidente, assegurou que o Governo respeitaria a decisão do Congresso, e reiterou que o objetivo oficial é impedir que 'na mesa dos argentinos haja preços internacionais dos alimentos'.

dc/cn

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