O mundo vive cenas típicas da Idade Média, com pessoas desesperadas em busca de um pedaço de pão, afirmou nesta terça-feira a presidente argentina, Cristina Kirchner, ao abrir a reunião de cúpula do Mercosul e países associados em Tucumán, 1.300 km ao norte de Buenos Aires.

"Vemos cenas da Idade Média. Pessoas morrem em algum lugar por um pedaço de pão, por um grão de trigo", disse Cristina, à frente da presidência pro tempore do bloco que reúne Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, além da Venezuela em processo de adesão.

"Há um novo cenário internacional, o petróleo beirando os 140 dólares o barril e a tonelada de soja a quase 600 dólares", acrescentou.

Critina Kirchner disse que a especulação que se concentrava no setor financeiro se transferiu para o segmento de alimentos e energia.

"Antes as conseqüências da especulação eram pagas pelas macroeconomias, com déficits fiscais. Agora são pagas pelos homens de carne e osso", acrescentou a presidente, diante de representantes dos sócios do bloco sul-americano, Chile, Bolívia, Equador, Colômbia e Peru.

Kirchner também chamou a atenção para a coincidência da "simultaneidade entre a disparada de preços dos alimentos e a crise no setor financeiro com as hipotecas" nos Estados Unidos.

Neste momento, ela olhou para o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e lembrou que "quando se redigiu o documento da última reunião da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) não pudemos obter com Lula nenhuma frase de subsídios agrícolas".

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