Teerã, 19 jan (EFE).- O líder supremo da revolução iraniana, aiatolá Ali Khamenei, negou hoje que o programa nuclear de seu país tenha como objetivo final a construção da bomba atômica, como temem potências ocidentais.

"Voltamos a ouvir de americanos e europeus as mesmas palavras absurdas de que o Irã pretende fabricar armas nucleares", disse Khamenei em cerimônia militar no porto de Bander Abbas, no sul do Irã.

"As acusações do Ocidente são infundadas. Nossas crenças religiosas nos impedem de ter esse tipo de armas. Não acreditamos na arma atômica nem queremos consegui-la", acrescentou a máxima autoridade do país, citado pela televisão estatal.

Ontem, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) expressou sua preocupação com a possível dimensão militar do controvertido programa nuclear do Irã.

Segundo o documento, o país continua sem cooperar o suficiente em sua missão de determinar se as atividades nucleares iranianas têm ou não objetivos pacíficos.

Além disso, informa que medições espectrométricas realizadas pelo Irã confirmariam que seus técnicos conseguiram enriquecer pequenas quantidades de urânio até 19,8% de pureza, muito mais que o alcançado até agora.

Em declarações à Agência Efe, um alto funcionário internacional próximo à AIEA atestou que essas medições são corretas.

O Irã assegura que deseja produzir combustível nuclear para um reator científico em Teerã, que fabrica desde a década de 70 isótopos para o tratamento do câncer.

Os inspetores da AIEA desejam esclarecer as atividades relacionadas à produção de explosivos nucleares no Irã, à fabricação de compostos para explosivos especiais e a origem de experimentos para gerar e detectar nêutrons.

No entanto, o diretor do organismo iraniano para a energia atômica deu ontem à noite uma opinião distinta e ressaltou que, na visão de seu país, o relatório da AIEA confirma que os objetivos do Irã são pacíficos.

Hoje, o influente deputado conservador Mohamad Reza Bahonar voltou a insistir que o Irã contempla a possibilidade de um acordo para o enriquecimento de seu urânio no exterior, sempre e quando a outra parte aceitar todas suas condições.

"Se (o Ocidente) aceitar trocar o combustível de forma simultânea em Teerã, nós interromperemos a produção de urânio a 20 %", assegurou Bahonar, citado pela agência de notícias local "Ilna". EFE jm/bba

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