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Justiça brasileira pode demorar, mas não falha, diz Tarso

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse nesta quarta-feira que a extradição do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, condenado pela justiça brasileira e que estava preso no principado de Mônaco, é um símbolo muito grande para o Brasil e para sua política exterior. Para ele, a volta de Cacciola, que deve acontecer nesta noite, mostra que a Justiça pode demorar um pouco, mas ela não falha.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |

 

Tarso disse interpretar a extradição como um "símbolo". Do ponto de vista interno ela representa um "forte ataque à impunidade" e na relação política do Brasil com a comunidade internacional significa que o País teve confiabilidade para fazer a extradição.
 
"Isso tem um símbolo muito grande interno e político para o país no exterior. O símbolo interno é que a Justiça brasileira pode demorar um pouco, mas ela não falha. Isso significa um ataque muito forte à impunidade aqui no Brasil", disse. "E o segundo símbolo é o aspecto da relação do Brasil com a comunidade internacional", completou.

Algemas
 
O ministro Tarso Genro garantiu que a Polícia vai cumprir a determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de não algemar o ex-banqueiro em seu translado do aeroporto à cadeia.
 
O uso das algemas pela Polícia tem sido alvo de inúmeras críticas, entre elas do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, desde a prisão do banqueiro Daniel Dantas, do investidor Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, presos na operação Satiagraha.
 
Banco Marka
 
Cacciola estava foragido do Brasil desde 2000 - vivendo em Roma, onde explorava um hotel de luxo -, depois de ser condenado a 13 anos de prisão pelos crimes de gestão fraudulenta e peculato no Banco Marka. Foi preso pela Interpol em 15 de setembro de 2007, em Mônaco, logo depois de preencher a ficha de entrada em um hotel de Monte Carlo. No Brasil, Cacciola chegou a ficar preso por 45 dias, mas fugiu para a Itália depois que o Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão do ministro Marco Aurélio de Mello, lhe concedeu habeas-corpus.
 
Ele é acusado de se beneficiar de informações sigilosas sobre a desvalorização do real, em 1999, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Na tentativa de salvar o banco, ele provocou, com a ajuda do Banco Central, um rombo de R$ 1,5 bilhão ao Tesouro. Apesar de o País estar à beira da desvalorização do real, Cacciola investiu pesadamente na estabilidade do real. Ele chegou a ter 20 vezes seu patrimônio líquido atrelado a contratos de venda no mercado futuro de dólar. Em 2005, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou Salvatore Cacciola, à revelia.
 
Entre os argumentos que sustentam a extradição está o pedido de prisão preventiva decretada pelo Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro, quando Cacciola, valendo-se de sua dupla cidadania, viajou para a Itália, logo depois de ter sido condenado por desvio de dinheiro público e gestão fraudulenta.
 
Há cerca de dez dias, a Justiça de Mônaco rejeitou o último recurso cabível, interposto pela defesa de Salvatore Cacciola contra a decisão tomada pelo Tribunal de Apelações do principado em abril, favorável à extradição do banqueiro.

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