SÃO PAULO - Acentuando o movimento de baixa iniciado na semana passada, os contratos de juros futuros voltam a perder prêmio na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). A queda nos vencimentos acontece à parte da piora de humor detectada nas bolsas e da valorização no preço do dólar.

No encerramento da sessão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, apontava queda de 0,29 ponto percentual, para 14,16%. O contrato para janeiro 2011 fechou com perda de 0,42 ponto, para 14,74%, e janeiro 2012 apontava 14,95%, desvalorização de 0,40 ponto.

Na ponta curta, o contrato para janeiro de 2009 destoava, registrando alta de 0,06 ponto, para 13,56%, enquanto Julho de 2009 caía 0,08 ponto, projetando 14,09%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 368.085 contratos, equivalentes a R$ 31,89 bilhões (US$ 13,67 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 154.310 contratos, equivalentes a R$ 13,35 bilhões (US$ 5,72 bilhões).

Para a economista da Geral Asset, Denílson Alencastro, a questão envolvendo o crescimento da economia brasileira vem ganhando maior peso do que a preocupação com a inflação. E isso ajuda a explicar o recuo nos prêmios de risco embutidos nas taxas futuras.

No entanto, o economista aponta que, mesmo em um ambiente de menor crescimento, ainda existe o risco de contaminação da inflação pelo preço do dólar.

Ainda de acordo com Alencastro, as expectativas de inflação para 2009 voltaram a piorar, conforme apontado hoje no relatório Focus do Banco Central.

De acordo com a sondagem do BC, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza a política de metas, saiu de 5,20% para 5,25%. O especialista lembra que há quatro semanas o índice projetado estava em 5,06%.

Para o especialista, tal comportamento das expectativas de inflação aliado à incerteza inerente ao cenário de crise deve levar o Banco Central a segurar a taxa de juros estável em 13,75% ao ano na reunião da semana que vem.

Alencastro também lembra que o BC deve mostrar preocupação com as previsões de menor crescimento da economia, mas que a meta principal da autoridade monetária é zelar pela moeda. "O grande dilema é como controlar as expectativas. O menor crescimento influencia na inflação, mas o dólar mais caro pressiona toda a cadeia produtiva."
(Eduardo Campos | Valor Online)

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