Os juros futuros registraram forte alta hoje, refletindo uma crise de confiança no sistema bancário que se avizinha do mercado, após a divulgação da Medida Provisória 443, que autoriza o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a adquirirem participação em instituições financeiras, públicas ou privadas, aliada a rumores de que há fundos e bancos em situação crítica. A aversão ao risco no mercado hoje foi tamanha que alguns contratos de depósito interfinanceiro (DIs) atingiram o limite de variação na BM&F, caso dos vencimentos de janeiro de 2010 e 2012.

O DI para janeiro de 2010 terminou o dia projetando taxa de 16,22% ao ano, a máxima permitida para o dia contra os 14,72% ao ano projetados no encerramento dos negócios ontem. Também fechou no limite a taxa do DI para janeiro de 2012, a 17,43%, ante 15,91% ontem. Mas o DI mais negociado hoje foi o que vence em janeiro de 2009, que encerrou projetando taxa de 14,21%, contra 13,93% ontem.

O mercado já amanheceu estressado pelo mau humor externo e a tensão foi ganhando força ao longo do dia, sobretudo após o detalhamento da MP 443. Embora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tenha assegurado que não há bancos quebrando no Brasil e que o sistema financeiro está sólido, o mercado leu a MP como indicação de socorro estatal. "A MP recém editada, ao contrário de reduzir o risco sistêmico, o faz aumentar, haja vista essa experiência trágica e custosa de um passado recente", afirma o economista Gustavo Loyola, da Tendências, lembrando que o maior gasto com a reestruturação do sistema financeiro brasileiro nos anos 1995-1998 foi com a recapitalização de bancos públicos e a retirada de ativos "podres" dessas instituições.

O ministro disse que as operações serão realizadas dentro das regras de mercado e garantiu que essa permissão não é para socorrer bancos que fizeram uma má gestão. "Não compraremos ativos podres até porque aqui não temos esse problema.", disse Mantega. O ministro ponderou que todas as ações do governo têm sido pautadas por regras transparentes e operações de mercado. "Não vemos nenhum subsídio".

De qualquer maneira, outra questão que se levanta e que ajudou a botar pressão sobre as taxas é a da política monetária. De um lado, a estilingada do dólar (que hoje fechou a R$ 2,30) que deve pressionar a inflação sugere continuidade do aperto monetário. De outro, a possibilidade de forte desaceleração da demanda, agora reforçada pelos temores de risco sistêmico, dá força à idéia de uma parada técnica.

Operadores citaram ainda como exemplo o caso da Hungria, cujo Banco Nacional surpreendeu o mercado nesta quarta-feira elevando a taxa básica de juro em para 11,5%, de 8,5%, no intuito de defender a moeda húngara das massivas vendas que vem sofrendo, em conseqüência do forte movimento de desalavancagem de ativos de risco e que tem atingido as moedas emergentes.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.