SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros marcam mais um pregão de baixa nesta terça-feira, movimento alinhado à contínua percepção de menor atividade econômica e inflação sob controle. Mesmo cenário que estimula a consolidação da apostas de Selic abaixo de 10% até o final de 2009.

Ao final do pregão, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com o vencimento para janeiro de 2010 apontava queda de 0,03 ponto, a 9,96%. O vencimento para janeiro de 2011 recuou 0,05 ponto, para 10,31%. Destoando, janeiro 2012 apontava 10,81%, leve alta de 0,01 ponto.

Na ponta curta, o DI para abril recuou 0,03 ponto, encerrando a 11,11%. O contrato para maio, o mais líquido, recuou 0,03 ponto, para 11,09%. E julho de 2009 perdeu 0,01 ponto, projetando 10,46%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 536.945 contratos, equivalentes a R$ 49,95 bilhões (US$ 22 bilhões), 38% mais que o registrado ontem. O vencimento para maio de 2009 foi o mais negociado, com 169.100 contratos, equivalente a R$ 16,69 bilhões (US$ 7,35 bilhões).

Segundo o economista da Geral Asset, Denílson Alencastro, as expectativas recaem, agora, sobre a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve ajudar a calibrar as perspectivas quanto ao futuro da política monetária.

Além da percepção quanto à atividade e expectativas de preços, Alencastro acha importante buscar no documento a visão do colegiado sobre o comportamento do câmbio, que até o agravamento da crise era um ponto favorável na economia.

Para o economista, no encontro de abril, o comitê deve promover uma redução de no mínimo 1 ponto percentual na taxa Selic, seguida de mais um corte de 0,5 ponto a 0,75 ponto em junho. Com isso o ciclo de afrouxamento monetário chegaria ao fim com taxa básica entre 9,75% a 9,5% ao ano.

" Tem espaço para fazer isso agora. Temos câmbio estável e expectativas convergindo para a meta. Mas a questão principal é a atividade fraca " , afirma.

Ainda de acordo com Alencastro, o Banco Central e o governo têm que calibrar bem as implicações dessa redução de juros.

Um dos pontos que já está em pauta envolve a caderneta de poupança, que passaria a oferecer rentabilidade mais atrativa que alguns fundos e títulos do governo. Caso uma alteração de rendimento não seja proposta, poderá acontecer migração de recursos de outros veículos de investimento para a poupança.

" O governo vai ter de equacionar muito bem essa questão para evitar um desgaste político, pois a poupança é uma instituição no Brasil. Qualquer comunicação tem de ser bem entendida " , resume.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro realizou a primeira etapa do leilão de Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B). Foram colocadas 370 mil notas do lote de 500 mil, movimentando R$ 632 milhões. Amanhã acontece a segunda etapa, que acontece por meio da troca de títulos.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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