SÃO PAULO - Deixando de lado a instabilidade do começo do pregão, os contratos de juros futuros firmaram tendência de baixa, devolvendo parte dos prêmios acumulados nas últimas duas sessões. Ao final do pregão, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) o contrato de Deposito Interfinanceiro (DI) com o vencimento para janeiro de 2010, o mais líquido, fechou com baixa de 0,09 ponto, a 11,16%.

O contrato para janeiro 2011 caiu 0,11 ponto, 11,48%. E janeiro 2012 apontava 11,74%, também desvalorização de 0,11 ponto.

Na ponta curta, o DI para fevereiro de 2009 marcava 12,64%, sem alteração. O vencimento para março também fechou estável a 12,63%. E julho de 2009 perdeu 0,07 ponto, projetando 11,67%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 655.455 contratos, equivalentes a R$ 60,37 bilhões (US$ 26,53 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 146.495 contratos, equivalente a R$ 13,30 bilhões (US$ 5,84 bilhões).

Segundo operadores de mercado, os últimos dois dias foram de realização de lucros, com os investidores garantindo os ganhos obtidos ao longo do mês com as apostas de juros menores.

Findo esse processo, a movimentação da curva na tarde de hoje sugere que novos posicionamentos já estão sendo feitos para o mês que entra, e a primeira semana de fevereiro tem relevantes indicadores, que ajudarão a moldar as expectativas quanto aos próximos passos da autoridade monetária.

No decorrer da próxima semana, além dos tradicionais IPC-S e Focus, os agentes aguardam a produção industrial de dezembro, que deve apresentar forte variação negativa, e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro. Cabe lembrar que a prévia do indicador, o IPCA-15, surpreendeu negativamente, com alta de 0,40%.

O consenso de mercado continua sendo de novas reduções na taxa básica de juros e, mais uma vez, a divergência fica por conta do tamanho do corte, se 1 ponto, ou redução do ritmo para 0,75 ponto percentual.

Para os economistas do Barclays Capital, o Banco Central deve repetir a dose na reunião de março, derrubando a Selic de 12,75%, para 11,75%. A aposta do banco foi reforçada pela ata da reunião da semana passada, na qual o BC acredita em trajetória de inflação benigna, apesar da pressão proveniente dos preços administrados.

Pelo lado da atividade, o Barclays ressalta que o BC deu a entender que a demanda, agora, não representa mais um ponto de preocupação, mas mais um fator que contribuirá para preços amenos no decorrer do ano.

O banco também destaca a avaliação prospectiva do IPCA para 2010, que segundo a autoridade monetária, está significativamente abaixo do centro da meta, fixado em 4,5% ao ano.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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