SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros começaram a semana apontando para cima na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). O ajuste de posições foi estimulado pelo boletim Focus do Banco Central, que apontou piora nas expectativas de inflação.

Ao final do pregão, o contrato de Deposito Interfinanceiro (DI) com o vencimento para janeiro de 2010, o mais líquido, fechou com alta de 0,11 ponto, a 11,14%. O contrato para janeiro 2011 ganhou 0,09 ponto, para 11,53%, e janeiro 2012 apontava 11,95%, aumento de 0,18 ponto.

Na ponta curta, o DI para março caiu 0,04 ponto, para 12,63%, e o contrato para junho de 2009 cedeu 0,03 ponto, projetando 11,79%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 371.400 contratos, equivalentes a R$ 33,33 bilhões (US$ 14,71 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 225.060 contratos, equivalentes a R$ 20,50 bilhões (US$ 9,05 bilhões).

A sondagem do BC aponta Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,73% no fechamento de 2009, contra previsão anterior de 4,6%. Também foram revistas para cima as projeções para IGP-DI e IPC da Fipe.

O Focus também mostrou redução nos prognósticos de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A estimativa caiu de 1,8%, para 1,7%. Já as projeções para câmbio e Selic ao final do ano foram mantidas em R$ 2,30 e 10,75%, respectivamente.

A agenda do dia ainda trouxe a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre emprego e salário na indústria em dezembro. O emprego caiu 1,8% e a folha de pagamento recuou 0,7%.

Mais atual, o dado da Anfavea apontou forte recuperação na produção de veículos em janeiro. Na comparação com dezembro, o crescimento da produção foi de 92,7%, com 186.124 veículos fabricados. Mas sobre janeiro de 2007, o montante ainda é 27,1% menor.

Para o gestor da Brascan Gestão de Ativos, Luiz Fernando Romano, os dados do Focus aliados aos números da Anfavea estimularam uma realização de lucros depois das quedas das taxas na semana passada.

De maneira geral, Romano avalia que o mercado de juros futuros deve ficar "andando de lado", segundo jargão de mercado, pois os contratos já precificam bem as atuações do Banco Central no ciclo de afrouxamento monetário.

Para o gestor, o DI para janeiro de 2010, referência do mercado, deve ficar oscilando entre 11% e 11,5% até que sejam apresentados dados mais concretos sobre atividade e inflação que permitam a formação de uma nova tendência.

Romano também chama atenção para a fala do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, que pediu serenidade e criticou atitudes "agressivamente defensivas" contra a crise mundial, como a desova de estoques e a parada de produção de várias empresas.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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