Os juros cobrados dos consumidores nas operações de crédito caíram pela oitava vez consecutiva em setembro, apesar da manutenção da Selic, taxa básica de juros do País, em 8,75% ao ano, pelo Banco Central (BC). Nas modalidades voltadas para pessoa física, o juro médio recuou para 7,01% ao mês (ou 125,47% ao ano), permanecendo no menor patamar desde 1995, segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

De fevereiro até agora, a taxa média mensal caiu 0,56 ponto porcentual. “O movimento de queda poderia ser um pouco mais intenso, já que as taxas brasileiras ainda estão em patamar bastante elevado comparado com a média mundial. De qualquer forma, é preferível ter quedas pequenas consecutivas do que algumas reduções esporádicas”, destaca o vice-presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, responsável pelo levantamento. “Nunca tivemos um processo como este que estamos vivendo agora. Mas ainda teremos muita coisa pela frente.”

O executivo afirma que, das seis linhas de crédito pesquisadas, apenas a taxa do cartão de crédito se manteve inalterada, em 10,68% ao mês desde fevereiro de 2009. A maior queda foi verificada na modalidade empréstimo pessoal das financeiras, que caiu de 10,62% ao mês para 10,48%.

No caso das linhas de crédito para empresas, houve redução em todas as quatro modalidades pesquisadas. A taxa média mensal caiu para 3,89% ao mês (ou 58,08% ao ano) em setembro, para o menor patamar desde março de 2001. A maior redução foi verificada na linha de conta garantida, cuja taxa recuou de 5,38% ao mês para 5,24% ao mês ( 84,57% ao ano). A taxa de setembro é a menor da série histórica da Anefac.

Para Oliveira, ainda há espaço para novos cortes, apesar dos rumores de que o BC terá de iniciar um novo ciclo de alta da Selic para conter pressões inflacionárias em 2010. Ele acredita que o País começará a viver um momento de expansão dos prazos de financiamento. “Hoje temos prazos mais longos só em algumas modalidades e em alguns bancos. Teremos um movimento muito mais amplo.”

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