As taxas de juros bancários para pessoa jurídica (PJ) subiram até 3,5% de janeiro a junho deste ano, impulsionadas pela alta da taxa básica de juros, a Selic. É o que mostra a pesquisa mensal de juros da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Esse aumento afeta principalmente as micro e pequenas empresas (MPEs) que dependem mais de financiamentos para obter capital de giro. Além disso, os pequenos empresários acabam tendo de pagar juros ainda mais altos na hora de tomar crédito nos bancos por não possuírem garantia de pagamento.

"As médias e grandes empresas têm mais poder de barganha junto às instituições financeiras e podem conseguir melhores opções de juros para obtenção de crédito", explica o vice-presidente da Anefac, Miguel de Oliveira. "No caso das MPEs a situação é pior, pois elas apresentam maior risco, já que muitas vezes não possuem garantias para oferecer, e os bancos estão cada mais seletivos na concessão de crédito. Quando conseguem, as taxas são altíssimas", diz.

Essa elevação dos juros prejudica quem mais precisa do crédito. Oliveira explica que as empresas de médio e grande porte são mais capitalizadas. "Já as menores dependem de financiamentos e também utilizam muito o desconto de cheques pré-datados e de duplicatas para ter dinheiro em caixa." Essas duas modalidades subiram 2,96% e 3,5% no semestre.

Foi justamente por esbarrar na dificuldade de obter crédito nos bancos e para fugir das altas taxas de juros, que o empresário Mauro Omarini, 26 anos, proprietário da Pillow Espumas, buscou diferentes alternativas de crédito. "Há três anos, tive de criar a empresa com recurso próprio, porque nenhum banco me financiava. Como estamos instalados em imóvel alugado, não temos garantias para obter crédito junto às instituições financeiras."

O empresário conta ainda que quando consegue alguma linha de financiamento que não exige garantia - as chamadas "clean", os juros são impagáveis. Por isso, a única alternativa viável que encontrei foi negociar com fornecedores e clientes para obter capital de giro".

A fórmula de Omarini é simples. "Peço um prazo maior para o fornecedor e concordo em pagar juros um pouco mais altos por isso. Também consigo negociar com alguns clientes (grandes) para que me adiantem o valor da duplicata que venceria em 30 dias, descontando um porcentual do valor - ainda assim sai mais barato para mim do que pagar os juros que os bancos me cobrariam", afirma.

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