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SÃO PAULO - O aperto monetário iniciado em abril deste ano pelo Banco Central (BC) já teve influência sobre as vendas de automóveis novos. Nesta quinta-feira, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, colocou o juro mais alto como um dos responsáveis pela desaceleração observada em agosto no ritmo de crescimento das vendas.

Segundo ele, parte do crescimento mais cadenciado pode ser reflexo da Selic maior e do seu efeito sobre o crédito para aquisição de veículos. Além disso, Schneider lembrou que a indústria atingiu um novo patamar de volume de vendas, o que torna mais difícil uma expansão na casa dos 20% a 25%, como vinha ocorrendo. "Atendemos a uma demanda reprimida e chegamos a um novo patamar", disse o executivo.

Durante o mês de agosto, as montadoras instaladas no Brasil registraram o licenciamento de 244,8 mil veículos, uma alta de apenas 4% em relação ao mesmo período do ano passado. Trata-se da menor taxa de crescimento desde junho de 2006, quando se compara um mês com o seu par no exercício anterior.

O desempenho, entretanto, também foi influenciado pelo menor número de dias úteis observados em agosto deste ano, 23, contra 21 do mesmo mês de 2007. Se consideradas a média diária de vendas, o salto passa a 14%.

Outro fator que chama a atenção quando se analisa o arrefecimento das vendas é crescimento dos estoques. Em agosto, a cadeia automotiva tinha 251.327 veículos em estoque, o equivalente a 30 dias de vendas. Em julho, o volume estava em 217.078 unidades, correspondente a 23 dias de vendas.

No entanto, o presidente da Anfavea minimizou os estoques maiores. Na sua visão, não dá para considerar elevado o patamar de 30 dias registrado em agosto, porém admitiu que trata-se de um movimento importante, que será observado com mais atenção pelas montadoras.

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