As projeções das taxas de juros a partir dos contratos futuros de depósitos interfinanceiros (DIs) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fecharam o pregão de hoje em alta, mas em menor grau do que o avanço significativo das projeções observado na primeira parte dos negócios, pela manhã. Na medida em que as Bolsas americanas reduziram as perdas (em alguns momentos operaram em alta), os juros futuros no mercado doméstico também perderam o ímpeto de alta.

Alguns vencimentos futuros de DI de curto prazo encerraram em leve queda. Todavia, no longo prazo, as projeções de juros seguem em níveis bastante elevados. O vencimento mais negociado, o DI de janeiro de 2010, subiu de 15,14% para 15,19% ao ano, com 488.165 contratos - na máxima do dia chegou a 15,32% ao ano. O DI de janeiro de 2009 (187.755 contratos) fechou o pregão na BM&F na projeção mínima do dia, de 13,36% ao ano, ante 13,38% de ontem.

Apesar da aparente recuperação na parte da tarde, segundo operadores, a maior parte do pregão hoje foi marcada pela combinação de zeragem de posições vendidas (aposta no recuo das taxas) e montagem de posições compradas (aposta na alta dos juros). "O mercado de contratos futuros de juros está em uma dinâmica horrorosa", disse um operador. Os ventos externos foram os principais responsáveis pelo desempenho dos DIs, já que o noticiário doméstico não trouxe fatos negativos. Ao contrário, a inflação medida pelo IPC-S, da Fundação Getúlio Vargas, desacelerou de 0,89% para 0,77% na última semana de junho e a produção industrial brasileira de maio, divulgada hoje pelo IBGE, mostrou recuo de 0,5% de abril para maio.

O ponto negativo da produção industrial foi a queda de 4,9% na produção de bens de capital (máquinas e equipamentos), justamente o tipo de investimento que expande a oferta. Apesar de ser o mais forte recuo em quase três anos, técnicos do IBGE afirmaram que "é prematuro dizer que está se encerrando um ciclo de investimento".

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.