BRASÍLIA - Os bancos ampliaram em 3,6 pontos percentuais a taxa média de juros incidente no cheque especial em julho, para 162,7%, ante os 159,1% ao ano verificados em junho. Por mês, o juro do cheque especial é de 8,4%.

Este índice é maior do que a previsão do mercado para a inflação no ano, que é de 6,34%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira

Em 12 meses, o avanço equivaleu a 23,5 pontos percentuais. Nos sete primeiros meses de 2008, o aumento foi de 24,6 pontos.

Para pessoa física, os juros apresentaram elevação de 2,3 pontos percentuais, a 51,4%.

A taxa média de juros bancários aumentou 1,4 ponto percentual, indo de 38% em junho para 39,4% no mês passado. Esse percentual corresponde à média das taxas cobradas em operações prefixadas, pós-fixadas e flutuantes, com pessoas físicas e jurídicas.

O juro do crédito pessoal aumentou 2,2 pontos, indo para 51,4% em junho para 53,6% no mês seguinte. Em 12 meses, o crescimento foi de 3 pontos. No acumulado do ano, foi apresentado incremento de 7,8 pontos percentuais.

Dentro dessas operações, a taxa média dos empréstimos com desconto em folha de pagamento cresceu 0,7 ponto, saindo de 27,7% em junho para 28,4% em julho. Em 12 meses, esse juro caiu 2,5 pontos percentuais. No ano, viu-se, contudo, alta de 0,3 ponto.

Nas outras modalidades de crédito à pessoa física, o custo médio do empréstimo para aquisição de veículos expandiu-se 2,4 pontos, para 33,5% em julho. Em 12 meses, essa taxa cresceu 4,8 pontos. No ano, houve elevação de 4,7 pontos.

As taxas de empréstimos cobradas para aquisição de bens variados - como eletroeletrônicos, por exemplo - subiram 1,2 ponto, para 57,9% ao ano. Esse juro médio avançou 3,2 pontos nos 12 meses findos em julho. No ano, a expansão ficou em 1,4 ponto.

Spread

O spread, ou ganho dos bancos com a diferença entre as taxas de aplicação e de captação, avançou 1,1 ponto percentual, partindo de 24,5% em junho para 25,6% em julho, também considerando a média das três modalidades de juros para financiamento. Os bancos ampliaram a taxa geral de captação em 0,3 ponto percentual, para 13,8%.

O spread (ganho com a diferença entre o custo de aplicação e o custo de captação) cobrado pelos bancos nessa operação avançou 3,4 pontos, para 151%.

Volume de crédito

O volume global de crédito do sistema financeiro atingiu em julho o recorde histórico de 37% do Produto Interno Bruto (PIB), ou quase R$ 1,086 trilhão. É a maior relação na proporção com o PIB da série iniciada pelo BC em julho de 1994, superando o pico anterior, de janeiro de 1995, que era de 36,8% do PIB. O estoque de empréstimos aumentou 1,7% em relação a junho e 32,7% nos 12 meses findos em julho.

A parcela de empréstimos com recursos livres, que representa 71,7% do total, atingiu R$ 778,144 bilhões, crescimento de 1,9% no comparativo mensal e de 35,9% em 12 meses. A parcela de crédito com recursos direcionados, como financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), créditos habitacional e rural, alcançou R$ 307,6 bilhões em julho, com expansão mensal de 1,2% e de 25,4% em 12 meses.

As informações foram apresentadas nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC).

Leia mais sobre juros

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.