Tamanho do texto

O juiz Luiz Roberto Ayoub, coordenador da recuperação judicial da Varig, liberou o pagamento de R$ 47,5 milhões para credores trabalhistas da Varig que permanece em recuperação judicial, agora conhecida como Flex. Por meio de comunicado, Ayoub informou que o pagamento está limitado a cinco salários mínimos para cada trabalhador, o que está previsto na Lei de Recuperação Judicial de Empresas.

A Flex tem 14 mil credores trabalhistas, que têm R$ 238,8 milhões a receber só de dívidas contraídas antes de a Varig entrar em recuperação judicial. A estimativa é da 1ª Vara Empresarial do Rio, de Ayoub.

O advogado Álvaro Quintão, que acompanha a recuperação judicial representando a Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac), diz que a dívida total trabalhista herdada pela Flex já ultrapassa R$ 1 bilhão. Nesse total, estão incluídas as dívidas acumuladas após a Varig entrar em recuperação judicial, mais outras pendências, como verbas rescisórias.

Os recursos para os trabalhadores foram levantados por meio de uma antecipação de emissão de papéis de dívida (debêntures) realizada pela Gol, que comprou a Varig (VRG) em março do ano passado. No total, foram arrecadados R$ 95 milhões em duas emissões de debêntures no valor de R$ 47,5 milhões cada. Pelo plano de reestruturação da Flex, essa operação poderia ser feita no prazo de 10 anos pelo valor de R$ 100 milhões, ou antecipada com deságio.

A outra emissão foi destinada principalmente aos aposentados do fundo de pensão Aerus, que receberam em torno de R$ 34 milhões para amortizar parte da dívida total do fundo, estimada em até R$ 3,5 bilhões. As debêntures fazem parte do plano de recuperação judicial da Varig antiga e são parte dos compromissos do arrematante da Varig para colaborar com a continuidade da recuperação judicial da Flex, que se encerra na semana que vem.

Apesar do dinheiro obtido com as debêntures, a presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio, lembra que muitos aposentados ainda estão passando por dificuldades. O ex-comandante de vôos internacionais da Varig Zoroastro Ferreira Lima Filho, de 77 anos, recebe hoje apenas R$ 876 do fundo de pensão Aerus, que entrou em liquidação em abril de 2006 por causa da crise da companhia. Até esse dia, seu benefício era de R$ 6,3 mil por mês.

"Não só eu, como a maioria dos meus colegas, demos a nossa vida pela empresa e hoje mendigamos para ter uma vida um pouco melhor", diz Lima Filho, também presidente da Associação dos Participantes e Beneficiários do Aerus (Aprus). Ele tem diabetes, hipertensão e problemas cardíacos. Teve de vender seu carro e tornar-se dependente do plano de saúde de sua esposa.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.