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Judith Miller enfatiza importância da liberdade de imprensa

A jornalista Judith Miller, vencedora de prêmios como o Pulitzer, DuPont e Emmy, encerrou o segundo dia do IV Congresso Brasileiro de Publicidade, que termina amanhã, dia 16, em São Paulo. Miller, que passou 85 dias na cadeia em 2005 por se negar a revelar uma fonte a um tribunal de justiça, luta pela aprovação de uma lei que resguarde o sigilo da fonte.

Janaína Gimael e Andréia Brasil |

 

Durante a palestra ela criticou o governo norte-americano, dizendo que "o pêndulo entre a segurança nacional e a liberdade civil nos Estados Unidos pende muito mais para o primeiro lado". A jornalista também disse que Cuba e Venezuela como estão entre os piores países em termos de falta de liberdade, e citou a Rússia, a África Subsaariana e a Ásia como regiões de maior risco para os jornalistas. "Pessoas que sejam livres em qualquer lugar precisam saber o que o governo está fazendo em seus nomes", disse ela.

  • O segundo dia do Congresso também contou com palestra de abertura de Roberto Civita, presidente da editora Abril, que alertou para o excesso de legislação que o Congresso impõe à publicidade. "Não se trata de condenar qualquer restrição. Algumas fazem sentido, como as de cigarro, mas outras são preocupantes, como as da Anvisa, que pretendem agir sobre alimentos e medicamentos em qualquer circunstância", afirmou ele. Para Civita, a liberdade de comunicação é pressuposto de todas as outras liberdades, como a política e a econômica, e está intimamente ligada à democracia.

    Outra palestra que ocorreu durante o dia também abordou a liberdade de expressão. O vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, argumentou, em sua fala, que muitas das iniciativas atuais restringem a liberdade de expressão, normalmente visando tutelar os indivíduos. "O cidadão é visto como alguém que precisa de tutela e que não discerne entre o bem e o mal, entre o certo e o errado", afirmou. Para Marinho, o cidadão tem mais chances de acertar se tiver mais informação para fazer suas escolhas, e a reflexão é resultado da variedade de alternativas existentes.

    Comissões

    O segundo dia do IV Congresso Brasileiro de Publicidade apresentou 10 comissões que discutiram assuntos que cercam o setor publicitário. Entre outros temas, estiveram na pauta a criatividade brasileira, as novas mídias e a liberdade de expressão comercial.

    O presidente da agência África, Nizan Guanaes, presidiu a comissão "Criatividade Brasileira", e afirmou que essa é uma característica muito admirada pelo mercado internacional. Guanaes ainda destacou o papel que os consumidores vêm assumindo. "As empresas e as agências podem concorrer entre si, mas quem tem o poder é o consumidor". Durante sua palestra para a mesma comissão, PJ Pereira, presidente da Pereira e Odell, disse que "o poder de escolha e de opções que o consumidor detém é a maior ameaça à publicidade".

    A comissão "Novas Mídias" foi presidida por Daniel Barbará, presidente-executivo da Companhia Brasileira de Multimídia, e teve como foco as novidades tecnológicas. Barbará afirmou que "o mercado de meios digitais muda rapidente e é necessário desenvolver os novos meios e prepará-los para a disputa de mercado". Já o palestrante Paulo Castro, presidente da IAB Brasil, apontou as mudanças de comportamento do consumidor, que também passou a ser produtor de conteúdo. "Hoje o consumidor assume o poder da comunicação", declarou Castro.

    A restrição à publicidade e o prejuízo à livre concorrência foram abordados durante a comissão "Liberdade de Expressão Comercial", presidida pelo presidente do Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), Gilberto Leifert. O Ministro José Antonio Dias Toffoli, advogado-geral da União, foi um dos palestrantes e defendeu que a Constituição Brasileira estabelece parâmetros razoáveis e legitimos em determinadas situações. "A Lei pode limitar horários, temática e forma da propaganda. Trata-se de uma proteção à sociedade, ao cidadão e ao meio-ambiente", disse ele, ressaltando, porém, que a restrição não se trata de censura.

    Quarta-feira será o último dia do Congresso. As teses das comissões serão compartilhadas com o público do evento, encerrando os trabalhos. As informações geradas durante as comissões serão organizadas pela Abap, gerando os Anais do IV Congresso Brasileiro de Publicidade.

    Sobre o Congresso

    Com o tema Criando o Futuro, o 4º Congresso Brasileiro de Publicidade vai debater as principais questões que afetam o setor, com a presença de líderes da indústria da comunicação brasileira.

    Veja abaixo a programação do evento:

    Terça-feira, dia 15 de julho

    9h às 10h

    Palestra de Roberto Civita

    10h30 às 13h

    • A criatividade brasileira - Nizan Guanaes
    • Eficácia no planejamento e compra de mídia - Ângelo Franzão Neto
    • A realidade dos mercados regionais - Ricardo Nabhan
    • A educação, a profissão e o mercado - Francisco Gracioso
    • Carga tributária e rentabilidade de agências, fornecedores e veículos - Cyd Alvarez

     

    15h às 16h

    Palestra de João Roberto Marinho

    16h30 às 19h

    • A valorização, a prosperidade e a rentabilidade da indústria da comunicação - Luiz Lara
    • Mídia e conteúdo - João Carlos Saad
    • Marketing de relacionamento - Efraim Kapulski
    • Novas mídias - Daniel Barbará
    • Liberdade de expressão comercial - Gilberto Leifert.

    19h

    Palestra de Judith Miller

    Quarta-feira, dia 16 de julho

    No último dia do Congresso, dia 16, as teses debatidas nos dias anteriores serão compartilhadas com o público do evento, em duas sessões com palestras feitas pelos presidentes das comissões. Essas plenárias acontecem entre 9h e 13 horas, encerrando os trabalhos do Congresso.

    Leia também:

  • "Tudo que pode ser digitalizado, está sendo", diz Paulo Castro
  • Marinho defende a liberdade de expressão
  • Propaganda precisa aprender novo jogo ou está fora, diz Guanaes
  • Civita alerta para excesso de legislação
  • América Latina está na direção correta, diz Annan
  • Congresso de Publicidade fecha 1º dia com questões para reflexão
  • Tecnologia requer novas maneiras de fazer negócio
  • Ética na publicidade requer diálogo entre agências e empresas
  • Barreiras entre disciplinas não existem mais, diz Anguita   

     

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