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Jovens são maioria no crédito

Jovens compõem a maior fatia de compradores da casa própria por meio de financiamento pela Caixa Econômica Federal. Segundo levantamento da instituição, mutuários com até 30 anos são os titulares de 33% dos contratos firmados de janeiro a abril deste ano.

Agência Estado |

Se olhada a faixa etária até 35 anos, a participação sobe para 52%. Esta é uma mudança significativa de perfil do tomador do crédito, segundo o superintendente-regional do banco, Augusto Bandeira Vargas. Há dez anos, a representatividade desses contratantes era de 20%.

Quando se cruzam esses dados com os do aumento da aplicação do crédito, a representatividade dos jovens fica ainda mais expressiva. "Em 1997, era 20% sobre uma aplicação de R$ 3 bilhões. Este ano, devemos aplicar R$ 40 bilhões - um mercado 20 vezes maior", calcula Vargas.

Na opinião do executivo, vários fatores colaboraram para a inclusão dos jovens no crédito habitacional. "O País está há mais de uma década estabilizado. As taxas de juros começam a se reduzir de modo geral e outros bancos estão entrando no mercado, o que aumenta a concorrência."

Isso permite que mudanças típicas desta fase da vida que envolvem, muitas vezes, troca de residência sejam realizadas. "Muitos estão casando, outros querem planejar um futuro casamento ou estão saindo da casa dos pais e querem fugir do aluguel", diz Vargas.

Conforme o superintendente, noivos que querem comprar a casa própria antes de casar podem somar as rendas na abertura do crédito. Não é necessário ser casado. O banco exige, no entanto, uma declaração de união estável. O mesmo ocorre com outras instituições financeiras privadas.

Dificuldades

Mesmo assim, grande parte dos casais ainda não consegue realizar a compra. Em um estudo finalizado em março deste ano em15 cidades com mais de 300 mil habitantes, a pesquisadora Sandra Pires de Almeida, , observou uma alta demanda de casais que buscam comprar o imóvel para depois marcar o casamento. No entanto, a média de renda conjunta dos casais com idade entre 23 e 29 anos ficou entre R$ 1.800 e R$ 2.500 - valor insuficiente para financiar o imóvel que desejam. "A primeira opção é de apartamentos com 70 metros quadrados em média e duas vagas de garagem - produtos que estão disponíveis em valores superiores ao que a renda deste perfil de público permite", explica.

Além da renda, as instituições financeiras analisam os gastos fixos dos mutuários antes de conceder o crédito. Se o casal tem despesas altas com faculdade, pós-graduação ou financiamentos diversos, isso interfere no cálculo do risco de inadimplência e pode inviabilizar o empréstimo. As informações são da edição de domingo do O Estado de S. Paulo/Construção

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