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Jornal inglês tenta decifrar proprietário russo

Evgeny Lebedev, o filho de 28 anos do ex-agente da KGB e agora oligarca Alexander Y. Lebedev, e novo diretor executivo do jornal londrino The Evening Standard, convidou outros membros da diretoria do jornal para almoçar recentemente.

Agência Estado |

O local escolhido foi o Sake No Hana, um restaurante chique perto de Mayfair do qual o jovem Lebedev é sócio. O propósito do convite era mitigar os temores em relação ao futuro do jornal, comprado pelo seu pai pela quantia de £ 1.

Um editor, que pediu para não ser identificado por medo de atrair a inimizade do novo chefe, disse que os demais editores foram surpreendidos e ficaram satisfeitos com seus novos líderes russos. "Eles escutam o que dizemos e parecem procurar com sinceridade as opiniões e ideias da equipe", disse.

Entretanto, no geral, a reação dos funcionários ao novo dono foi ambígua. Depois de meses de incerteza em relação ao futuro financeiro do jornal, alguns funcionários estão otimistas com a promessa de injeção de cerca de US$ 36 milhões. Todos estão preocupados com os próprios empregos e com a falta de experiência do jovem Lebedev no ramo do jornalismo.

Evgeny Lebedev foi por vezes retratado pela mídia britânica como um playboy. Em 2007, ele foi considerado o "terceiro solteiro mais desejado da Grã-Bretanha" pela Tatler, a revista do grupo editorial Condé Nast que cobre a alta sociedade. Rosto familiar na cena social de Londres durante a década de 1990, ele esteve envolvido num relacionamento com a ex-Spice Girl Geri Halliwell, e está namorando a atriz Joely Richardson, 16 anos mais velha do que ele. É sócio de dois restaurantes londrinos, de um hotel de luxo na Itália, de dois teatros em Moscou e de uma alfaiataria chique em Londres.

Apesar de um novo editor ainda não ter sido nomeado para o jornal, espera-se que o cargo fique com Geordie Greig, editor da Tatler e amigo dos Lebedev. Enquanto isso, os funcionários do Evening Standard ficam no escuro.

"O moral coletivo está muito baixo", disse Roy Greenslade, colunista da área de mídia do jornal. "Tenho recebido muitos telefonemas e e-mails de membros da equipe que temem prejudicar sua posição caso se pronunciem, mas que estão bravos, estupefatos e preocupados."

Na Rússia, Alexander Lebedev, de 49 anos, é conhecido como um tipo de figura da oposição, frequentemente contrário ao primeiro-ministro Vladimir Putin. Na imprensa britânica, muita coisa foi publicada sobre o passado de Lebedev. Ele era um agente da KGB ligado à Embaixada Soviética em Londres durante a década de 1980, o que é, para alguns, motivo de preocupação.

"Até onde podemos perceber, os Lebedev estão na melhor extremidade do espectro em se tratando de oligarcas russos e ex-agentes da KGB", disse Alan Rusbridger, editor do Guardian. "Mesmo assim, o governo britânico tem o poder de investigar os Lebedev antes de aprovar a sua propriedade de importantes jornais britânicos, e achamos que essa investigação deve ser feita."

Alexander Lebedev prometeu administrar o jornal sem interferir no seu funcionamento. "Minha influência será próxima do zero", disse. Como resultado, parece haver uma crescente sensação de otimismo entre alguns empregados, que acreditam no surgimento de uma fênix a partir das cinzas do antigo Evening Standard, que em dezembro registrou circulação de 287.173 exemplares.

Os problemas financeiros que afligem o jornal foram provocados, em parte, pela guerra de atrito entre Daily Mail e General Trust, antigos proprietários do Evening Standard, e a rival News International, de propriedade de Rupert Murdoch.

As duas editoras travaram uma batalha brutal e cara desde que inauguraram, em 2006, seus respectivos jornais vespertinos gratuitos, o London Lite, do Daily Mail e General Trust, e o London Paper, de Murdoch. O Evening Standard, que custa £ 0,50, é concorrente das publicações gratuitas.

Na semana passada, de acordo com outro funcionário do Evening Standard, o clima da redação piorou muito depois de uma reunião entre representantes eleitos pela equipe e Andrew Mullins, diretor administrativo do jornal. Ele revelou que os funcionários demitidos receberiam, independentemente do cargo ou salário, a oferta mínima estipulada pela lei: uma semana por cada ano de serviço, ao preço de cerca de US$ 500 por semana.

Simon Jenkins, colunista do Guardian, foi editor do Evening Standard na década de 1970. Durante a semana em que a publicação foi vendida, ele voltou ao jornal como colunista, a convite da editora que deixava o cargo, Veronica Wadley.

"Obviamente torço pela sobrevivência do jornal", disse Jenkins. "Mas estamos todos passando por uma época terrível. A nossa recuperação será determinada pelos deuses."

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