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Jornal centenário dos EUA migra para a web

Depois de um século de publicação ininterrupta, o The Cristian Science Monitor vai abandonar sua edição diária impressa. O jornal, editado de segunda a sexta-feira, a partir de abril só poderá ser acessado online, quando também será lançada uma revista de fim de semana.

Agência Estado |

O editor John Yemma disse que a concentração do jornal na internet significa que o jornal vai manter abertos os seus oito escritórios fora dos EUA. "Podemos nos permitir e temos hoje a oportunidade de dar um salto que muitos jornais terão de dar nos próximos cinco anos", disse ele.

O The Christian Science Monitor é uma espécie de anomalia dentro do jornalismo, já que é um jornal não lucrativo, financiado por uma igreja e enviado pelo correio. Com sete prêmios Pulitzer e a reputação de ter um texto ponderado e uma vigorosa cobertura internacional, o jornal por muito tempo exerceu uma grande influência no mundo editorial, que vem enfraquecendo com a queda da circulação, de mais de 220 mil exemplares em 1970 para 52 mil.

Num setor que vem realizando demissões, fechando escritórios e reduzindo o formato do seu produto, esse experimento do The Monitor deverá ser acompanhado de perto. "Todo mundo está falando de novos modelos", disse Yemma. "Pois este é um novo modelo."

Para Lou Ureneck, presidente do departamento de jornalismo da Universidade de Boston, é difícil saber o que essa medida vai significar para outros jornais, já que o The Science Monitor não é uma empresa com fins lucrativos. Mas por todo o setor as organizações de notícias "terão de ter um porte menor", disse ele.

Antes do The Science Monitor, vários jornais pequenos já abandonaram a edição impressa. Este ano, o The Capital Times, de Madison, Wisconsin, passou a ser publicado somente online, e o The Daily Telegraph, de Superior, também Wisconsin, anunciou que sua edição impressa só vai aparecer duas vezes por semana e nos outros dias será online.

O abandono da edição impressa vem seduzindo os executivos dos jornais. Numa conferência recente na City University da escola de jornalismo de Nova York, um grupo de executivos do setor discutiu como deveria ser uma redação mais produtiva com menos gastos. E chegou à conclusão de que o melhor caminho é abandonar o jornal impresso e partir para a internet.

Entretanto, segundo Ken Doctor, analista da Ousell Inc., muitos jornais não podem deixar a edição impressa, pois ela responde por 92% da receita total, de acordo com a Associação de Jornais dos Estados Unidos. "Se essa grande parte da receita está associada ao produto impresso e se amanhã as empresas decidirem não imprimir mais o jornal, a queda do rendimento será de 90%." Acabar com os gastos de impressão e de entrega, embora possa ajudar um pouco, não vai compensar a receita perdida.

Segundo John Yemma, o jornal impresso compensa financeiramente para o The Science Monitor, porém a maior parte dos recursos vem de assinaturas, e não de publicidade. As assinaturas representam cerca de US$ 9 milhões da receita do jornal, enquanto a propaganda impressa é de menos de US$ 1 milhão. No caso da internet, ela é de cerca de US$1,3 milhão, disse ele. Ele prevê que a receita da circulação vai cair, mas espera que a revista que será lançada atraia os anunciantes.

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