SÃO PAULO - A dedicação do governo em fazer a inflação convergir para a meta envolve a possibilidade de adoção de outras medidas caso a alta da Selic não seja suficiente para controlar o avanço dos preços. Essa hipótese voltou a ser colocada nesta segunda-feira por Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

"A atuação do governo será muito forte para conter a inflação. Por enquanto isso está sendo feito por meio do juro, mas se for preciso outras medidas duras também serão aplicadas", disse.

O ministro não revelou, no entanto, que medidas seriam essas. "Eu sei (quais são), mas não vou falar. Prefiro esperar pra ver qual é o impacto da alta de juros", disse, lembrando que alguns índices de preços já estão desacelerando.

Miguel Jorge não confirmou se alguma das medidas envolveria uma contenção da oferta de crédito, mas reforçou que a expansão do crédito deveria ser mais contida. "Talvez fosse desejável que a taxa de crescimento do crédito fosse um pouco menor", disse, sem indicar qual seria o ritmo ideal de evolução.

Conforme o último relatório o Banco Central, em maio o volume total de crédito do sistema financeiro equivalia a 36,5% do PIB, ante uma fatia de 31,9% verificada um ano antes. No período de 12 meses findos em maio a taxa de crescimento do volume de crédito foi 32,4%.

A redução de tarifas de importação também pode ser usada como arma pelo governo para coibir reajustes de preços no mercado interno.

Miguel Jorge participou nesta segunda, em São Paulo, de almoço promovido pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef)sobre a Política de Desenvolvimento Produtivo do governo.

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