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John McCain foca campanha em seu passado

SAINT PAUL (EUA) - O senador John McCain transformou sua dolorosa experiência como prisioneiro de guerra no Vietnã num aspecto central da sua campanha à Presidência dos EUA, apresentando seu sofrimento pessoal como evidência de que está preparado para liderar o país e usando-o como escudo para se proteger dos ataques adversários.

Valor Online |

A estratégia tornou-se evidente nesta semana na convenção em que os republicanos oficializaram a sua candidatura. Passagens heróicas da biografia do candidato foram destacadas em quase todos os discursos. Mais de duas dezenas de veteranos do Vietnã que conviveram com ele num campo de prisioneiros em Hanói participaram da convenção como convidados.

McCain incluiu uma referência bastante emocional a esse período no discurso que planejava fazer ontem à noite no encerramento da convenção, previsto para começar depois das 23 horas, pelo horário brasileiro. Eu me apaixonei pelo meu país quando era um prisioneiro no país dos outros , disse McCain, num trecho do discurso antecipado pela sua assessoria.

Seus aliados passaram a semana batendo na mesma tecla. Só existe um homem nesta eleição que realmente sempre lutou por vocês , disse na quarta-feira a governadora Sarah Palin, a vice da chapa republicana. Esse é o tipo de caráter que civilizações desde o começo da história buscaram em seus líderes , discursou na terça o ex-senador Fred Thompson, depois de apresentar um relato detalhado da experiência de McCain no Vietnã.

McCain foi capturado no Vietnã em 67, quando o jato que pilotava foi atingido por um míssil e ele foi ejetado do avião, com um joelho e dois braços quebrados. Quando lhe ofereceram tratamento médico em troca de informações militares, ele recusou-se a colaborar. McCain ficou preso no Vietnã cinco anos e meio e passou boa parte do tempo em confinamento solitário, submetido a frequentes interrogatórios e espancamentos.

Chamar atenção para o patriotismo e as qualidades pessoais de McCain pode ajudar os republicanos a pôr em segundo plano as fragilidades da sua candidatura, como a dificuldade que vem encontrando para convencer os eleitores de que seus planos de governo oferecem soluções para a ansiedade que a atual crise econômica desperta na classe média americana.

A ênfase no caráter de McCain pode ajudá-lo a atrair eleitores que têm dificuldade para se identificar com o candidato do Partido Democrata, o senador Barack Obama, que é negro, nasceu no Havaí, passou a infância na Indonésia e só se mudou para Chicago quando concluiu a faculdade e começou a pensar em entrar na política.

A experiência no Vietnã foi decisiva para forjar a identidade pessoal de McCain e ele descreveu-a em detalhes nos seus livros. McCain sempre usou-a para dar impulso à sua carreira política. Nos comícios do início da atual campanha, era muito comum a presença de ex-companheiros que foram presos com ele no Vietnã no palco e no ônibus em que viajava.

Nos últimos meses, os republicanos passaram a usar a experiência com frequência para rebater as críticas dos democratas. Há uma semana, o próprio candidato recorreu a esse expediente para justificar um deslize numa entrevista, em que ele não soube dizer o número de imóveis que possui com sua mulher, Cindy McCain.

Eu passei cinco anos e meio numa cela de prisão , disse McCain, ao ser perguntado sobre o assunto num programa de TV. Eu não tinha casa, eu não tinha mesa, eu não tinha cadeira. Passei cinco anos e meio, [e não foi] porque eu queria arrumar uma casa quando saísse. Mensagem parecida foi transmitida em anúncios que foram veiculados na TV.

Ficará mais difícil manter essa estratégia nas próximas semanas, quando haverá três debates entre Obama e McCain. Ao responder aos ataques desferidos pelos republicanos nesta semana, Obama indicou ontem que fará tudo para não deixar os adversários mudarem de assunto. Vocês não ouviram uma palavra sobre como eles vão lidar com qualquer aspecto da economia que está afetando vocês no dia-a-dia , disse Obama, num encontro com eleitores no interior da Pensilvânia. Eles tinham um monte de coisas para dizer sobre mim, mas não tinham uma palavra para dizer sobre vocês.

(Ricardo Balthazar | Valor Econômico)

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