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A economia japonesa, a segunda maior do mundo, entrou em recessão no terceiro trimestre de 2008, afetada pela crise financeira que derrubou os investimentos das empresas, segundo dados oficiais divulgados nesta segunda-feira.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Japão retrocedeu 0,1% em comparação com o segundo trimestre, e 0,4% no cálculo anual, em conseqüência da considerável redução dos gastos em capital empresarial. As companhias japonesas se viram muito afetadas pela queda da demanda americana e pelas dificuldades para obter financiamentos dos bancos cada vez mais desconfiados.

Os números marcam a entrada oficial do Japão em recessão, que tecnicamente é definida como dois trimestres consecutivos de crescimento negativo. No segundo trimestre, o PIB japonês registrara contração de 0,9% em relação ao período anterior, segundo os números revisados publicados nesta segunda-feira.

"Estes dados mostram que a economia entrou em recessão. Existe o risco de que a situação piore ainda mais", admitiu o ministro de Política Econômica e Orçamentária, Kaoru Yosano.

Os economistas previam um crescimento próximo de zero no terceiro trimestre. O prognóstico médio era de uma leve progressão de 0,1% em comparação com o segundo trimestre, segundo uma pesquisa do jornal Nikkei.

O Japão se une assim à Eurozona, Alemanha, Itália, Irlanda e Hong Kong na lista de países e territórios que entraram oficialmente em recessão pelo choque provocado pela crise financeira mundial. A maioria dos economistas prevê que uma das próximas a entrar para a relação será a economia dos Estados Unidos.

Esta é a primeira vez em sete anos que o Japão entra em recessão. A última contração do PIB durante dois trimestres consecutivos acontecera em 2001.

O retrocesso do PIB japonês no terceiro trimestre de 2008 é explicada pela queda de 6,7% em ritmo anual, e de 1,7% em relação ao trimestre precedente, dos investimentos em capital das empresas.

A maioria das empresas japonesas limitou os gastos evitando construir novas fábricas ou adiando a compra de equipamento, já que previam uma queda de demanda nos Estados Unidos, principal cliente das exportações japonesas. A situação ficou ainda pior com a hesitação dos bancos a conceder créditos.

As exportações no terceiro trimestre progrediram (+2,8% em ritmo anual), assim como o consumo das residências (+1,0%).

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que a recessão continuará no Japão no quarto trimestre, com um retrocesso previsto do PIB de 1,0% em cálculo anual. Segundo a OCDE, a segunda maior economia mundial registrará uma queda de 0,1% do PIB no conjunto de 2009.

Como o mercado já previa uma recessão no país, a Bolsa de Tóquio não foi afetada pelo anúncio oficial e fechou a segunda-feira em leve alta de 0,71%.

bur-roc/fp