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Japão registra a maior queda de produção industrial da história

Fernando A. Busca.

EFE |

Tóquio, 26 dez (EFE).- A economia japonesa continua afundando na recessão, como confirmam os preocupantes dados de novembro publicados hoje pelo Governo, como o aumento do desemprego e a maior queda da produção industrial da história.

Em novembro, o Japão produziu 8,1% a menos de automóveis, maquinaria e produtos de alta tecnologia em comparação a outubro.

Os analistas tinham previsto uma queda de 6,6%, mas o dado finalmente publicado indica que, desde setembro, a produção da poderosa indústria japonesa caiu quase 10%.

O país nunca tinha enfrentado um dado assim desde que este indicador começou a ser publicado, em fevereiro de 1953.

A razão principal é a brutal queda da demanda de um mundo em crise, principalmente nas principais economias importadoras dos produtos japoneses.

A queda foi tão forte que gigantes como a Toyota tiveram que paralisar a atividade em algumas de suas unidades, a fim de enfrentar um mercado cada vez menor com o excesso de automóveis produzido antes da explosão da crise.

As empresas japonesas reduziram sua produção, mas não tinham calculado que a freada forte na demanda fosse ser tão rápid O setor automotivo foi um dos mais atingidos pela queda da demanda e que o levou a optar pela paralisação da produção, com uma redução de 14,9% em novembro a respeito do mês anterior.

Mas existe outra razão para os problemas da indústria do Japão: a rápida valorização do iene japonês.

Um iene muito valorizado dificulta as exportações, porque torna os produtos fabricados no Japão mais caros para os compradores com divisas estrangeiras, mais ainda em época de crise para as economias do dólar, do euro e da libra esterlina.

Mas, além disso, o efeito negativo para as grandes companhias exportadoras japonesas é duplo, porque o lucro alcançado no exterior se vê altamente reduzido após serem repatriados e considerando o alto valor do iene.

Por isso, grandes companhias como Canon, Honda e Suzuki foram muito afetadas pela valorização do iene em 25% nos últimos meses.

Além deste panorama, em novembro, havia 100 mil desempregados a mais no Japão que no mesmo mês do ano anterior.

O índice de desemprego de 3,9% parece invejável comparado ao de outros países, mas o Japão é uma economia na qual esse dado é tradicionalmente muito baixo.

Realmente preocupante é que o nível de ofertas de emprego para cada 100 pessoas que buscam trabalho ficou no mês passado ao patamar mínimo em quase cinco anos.

Em novembro, para cada 100 japoneses que buscavam trabalho, as empresas japonesas só ofereciam 76 empregos.

Além disso, a notícia de que, em novembro, a inflação caiu para 1% levantou especulações de que Japão pode cair na deflação no próximo ano.

A inflação de 1% foi devido aos preços da alimentação, mas a queda do preço da gasolina e seu pouco provável aumento fazem prever uma progressiva queda dos preços.

Há um mês e meio, foi divulgado que o Japão, a segunda maior economia do mundo, tinha entrado oficialmente em recessão após registrar dois trimestres consecutivos de contração do Produto Interno Bruto (PIB), algo que não ocorria desde 2001.

O dado do PIB entre julho e setembro empurrou a economia japonesa ainda mais à crise: o Japão gerou durante o terceiro trimestre 0,4% de riqueza a menos que durante o mesmo período do ano anterior.

Antes da explosão da crise no Japão, pensava-se que os livros contábeis livres de hipotecas "podres" permitiriam às empresas japonesas superar a crise sem problemas, mas, à medida que passam os meses, os dados só aumentam a preocupação em Tóquio. EFE fab/an

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