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Japão pode perder superávit comercial por causa de crise econômica

Patricia Souza. Tóquio, 23 out (EFE).- O superávit comercial do Japão corre o risco de desaparecer por causa da crise econômica internacional e do progressivo encarecimento do iene, que hoje atingiu níveis recordes frente ao euro em quase sete anos.

EFE |

O Ministério das Finanças informou hoje que o superávit japonês diminuiu 94,1% em setembro, para US$ 973 milhões, o que situa a balança comercial japonesa no pior nível dos últimos 26 anos.

No primeiro semestre do ano fiscal, entre abril e setembro, o superávit comercial do Japão caiu 85,6% em termos anualizados, para US$ 8,206 bilhões, seu nível mais baixo desde o segundo semestre de 1981.

Além disso, nos meses de agosto e janeiro de 2008 a balança comercial japonesa registrou déficit também pela primeira vez desde a crise do petróleo do início da década de 1980.

As exportações, até agora o grande motor da segunda economia mais importante do mundo, estão se desacelerando, sobretudo em virtude da crise nos mercados como os Estados Unidos.

Em setembro, as exportações de bens japoneses cresceram apenas 1,5% frente a um aumento de 28,8% das importações, o maior em dois anos.

As exportações de bens japoneses para os EUA caíram quase 11% e para a União Européia (UE) diminuíram 9%, enquanto as destinadas à Ásia cresceram somente 3% no mês passado.

Caso se considere as informações do primeiro semestre do ano fiscal japonês, o resultado é um pouco mais contido, embora haja um arrefecimento progressivo das exportações.

As importações do Japão aumentaram entre abril e setembro em 16,1%, enquanto as exportações só cresceram 2,5%.

Uma notícia negativa para um país que até esta década não saiu da recessão e que é especialmente dependente das exportações de suas empresas de eletrônica e automobilística.

Os resultados de algumas destas instituições serão conhecidos a partir da próxima semana, mas muitas delas, desde a fabricante Toyota ao banco Mitsubishi UFJ e a Sony já admitiram quedas em sua previsão de lucro, produção ou vendas.

Hoje mesmo a Sony diminuiu em 37,5% sua previsão de lucro anual em relação a julho passado, que agora está em US$ 1,54 bilhão, 59% a menos que no ano anterior.

Além da crise em seus principais mercados, a valorização do iene frente ao dólar e ao euro por sua força como divisa de refúgio está afetando as empresas japonesas.

A Sony, cuja divisão de eletrônica representa 70% de suas vendas para o exterior, explicou que a queda na previsão anual de lucro se deve ao fato de o dólar possivelmente ser cotado na casa dos 100 ienes, e não dos 140 ienes, como estava previsto anteriormente.

Hoje o dólar chegou a cair durante a sessão para a casa dos 96 ienes, seu pior nível em sete meses, enquanto a moeda única européia ficava em 123 ienes, seu nível mais baixo desde dezembro de 2002.

No fechamento, a moeda americana ficou em 97,68 ienes, enquanto o euro fechou em 125,22 ienes, pouco mais de dois ienes a menos que ontem.

A queda das exportações, a redução dos lucros empresariais, a diminuição da produção industrial e outras informações macroeconômicas que vão sendo divulgadas aos poucos parecem apontar para a mesma direção.

O Japão, pela primeira vez desde 2002, está a ponto de entrar em uma fase de recessão.

Entre abril e junho, a segunda economia do mundo se contraiu 3%, e para o trimestre seguinte os analistas dizem que dados como a queda das exportações indicam uma segunda queda do PIB, o que tecnicamente equivale a uma recessão. EFE psh/fh/fal

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