Fernando A. Busca Tóquio, 13 ago (EFE).

- A crise parece ter chegado oficialmente ao Japão depois que o Governo anunciou hoje uma contração da economia de 2,4% entre abril e junho, devido à queda do consumo e à forte redução das exportações.

Esses dois itens são os principais motores da economia japonesa, principalmente o consumo, que representa 55% do Produto Interno Bruto (PIB) japonês, por isso o diagnóstico é simples: o Japão sente os efeitos da incomum inflação e da alta do iene.

A crise mundial gerada pelas hipotecas "subprime" dos Estados Unidos parecia ter poupado o Japão até agora, mas o dado sobre o PIB pode ter colocado a segunda maior economia mundial em plena crise.

Em termos nominais, que não são ajustados às mudanças dos preços, a economia japonesa produziu entre abril e junho 0,7% de bens e serviços a menos que nos três primeiros meses do ano.

Se no final de 2007 o PIB japonês alcançava 3,5%, desde o início deste ano o crescimento do Japão foi caindo, e hoje começa a se falar abertamente de recessão.

Além disso, há o recente dado sobre o IPC, que em junho aumentou 1,9%.

O aumento sem precedentes dos preços do petróleo estimulou uma alta incomum da inflação no Japão, e alguns consumidores com os salários congelados responderam diminuindo seu volume de compras.

A crise dos EUA também provocou uma interrupção das compras de produtos japoneses em um dos principais mercados para o setor exportador.

As vendas japonesas no exterior caíram 2,3% entre abril e junho, a primeira queda em mais de três anos, que afetou, principalmente, setores importantes para a economia japonesa, como o automotivo e siderúrgico.

O Governo japonês ainda não ligou os alarmes, apesar do dado sobre o PIB divulgado hoje, já que o recém-nomeado ministro de Política Econômica do Japão, Kaoru Yosano, afirmou hoje que o crescimento negativo pode ser um fenômeno temporário.

Os últimos dados oferecidos pela imprensa indicam que, no próximo trimestre, aumentará o investimento nesta parte da economia, por isso será compensada a queda de 3,4% registrada entre abril e junho.

Além disso, as grandes empresas japonesas parecem suportar bem a crise, segundo os dados anunciados recentemente sobre os resultados financeiros do primeiro trimestre do ano fiscal.

Por exemplo, a gigante de videogames japonesa Nintendo anunciou há duas semanas que seu lucro líquido aumentou 33,6% entre abril e junho frente ao mesmo período do ano anterior, para 107,267 bilhões de ienes (US$ 993 milhões).

No entanto, as grandes entidades bancárias do Japão foram atingidas pela crise "subprime", com perdas conjuntas que rondam os US$ 10 bilhões.

Mas estes números são pequenos perto das monstruosas perdas que muitos bancos americanos e europeus apresentaram ao longo do ano.

Os grandes bancos japoneses estão aproveitando a crise nos EUA e em outros mercados para tomar posições, como o Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ, que ontem anunciou a compra no valor de US$ 3 bilhões de sua subsidiária americana UnionBancal.

Dados como este deveram inspirar hoje Yosano quando ele afirmou à imprensa que os males provocados pela redução do PIB japonês se devem a "fatores externos" e que, na realidade, a economia japonesa "permanece firme". EFE fab/an

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.