BRASÍLIA - O mês de janeiro registrou um corte de 101.748 vagas de emprego formais no mercado de trabalho brasileiro. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. De acordo com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, este é o pior resultado para janeiro desde que se faz o cadastro.

Durante o período, o Ministério do Trabalho registrou a admissão de 1.216.550 trabalhadores contra 1.318.298 desligamentos, o que gerou a baixa recorde. Antes deste balanço, o Brasil havia registrado um corte de 654 mil vagas formais durante o mês de dezembro de 2008, outro número avaliado como "recorde" pelo próprio governo federal. 

Com o resultado de agora, a queda no total de empregos ante o mês anterior foi de 0,32%. Apesar dos dois períodos seguidos de dados negativos, nos últimos 12 meses foram criados 1.207.535 empregos com carteira assinada no País. Entre os anos de 2003 e 2008, segundo o Caged, foram gerados 7.619.224 empregos.

O Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, avaliou que janeiro registrou fatores positivos, como a retomada nas contratações. Para provar essa posição, ele lembrou que janeiro de 2009 só perdeu para janeiro de 2008 no total de contratações formais. "Sintoma de reação [contra a crise] da economia é o número de contratados", afirmou Lupi. Em dezembro, segundo o ministro, as contratações ficaram em 887 mil.

"É ruim ter 102 mil desempregos? É. Mas o número de contratações só perde para janeiro de 2008, o que mostra que a economia já está se recuperando", disse Lupi.

De acordo com os dados do Caged, os meses de janeiro de 1996, 97, 98 e 99 tiveram queda no número de empregos. Depois disso o País viu o número de vagas crescer em todos os primeiros meses do ano. 2009 quebrou um ciclo que teve seu auge em 2008, quando 142,9 mil vagas foram criadas.

Setores

No mês passado, os setores que mais desempregaram foram a indústria de transformação, com 55,13 mil cortes, o comércio, com 50,78 mil demissões, e a agricultura, com 12,1 empregos formais a menos.

Já o segmentos de construção civil teve geração líquida positiva de 11,32 mil vagas. Apesar de não ter havido perda de empregos, o resultado mostrou queda de 70% sobre janeiro de 2008, quando foram criados 38,6 mil postos neste segmento. O setor de serviços também ampliou as contratações, com mais 2,45 mil empregados, assim como a administração pública, com mais 2,23 mil vagas.

Em termos geográficos, houve redução no nível de emprego nas regiões Sudeste, com corte de 85,7 mil vagas, Nordeste com 24,3 mil e Norte com 9,5 mil. As regiões Sul e Centro Oeste conseguiram um saldo positivo com o acréscimo de 10 mil e 7 mil vagas respectivamente.

Março positivo

O ministro Lupi disse que, com o grande número de contratações em janeiro e "tendência de reversão" na curva do desemprego, o mês de fevereiro ainda deve ter um saldo negativo, mas aposta que março vai trazer o primeiro dado positivo do ano.

"Fevereiro terá resultado bem diferente, impulsionado pela construção Civil e pelo setor de serviços. Alguns setores da indústria diminuirão a queda. As indústrias de São Paulo, Rio e Minas vão ter redução nas demissões. Assim, em março começamos a reagir positivamente", disse.

Ao comentar os dados do Caged, Lupi fez um desabafo, e disse que, apesar da queda em janeiro, os "sábios da economia previam uma queda três vezes maior". E acrescentou dizendo que "a reação da crise foi inciada".

Leia mais sobre emprego

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.