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Janeiro deve continuar registrando mais demissões do que contratações

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) devem voltar a registrar mais demissões do que contratações no mês de janeiro. A previsão de analistas é de que o saldo negativo varie entre 170 mil a 300 mil postos de trabalho.

Agência Estado |

 

Apesar das previsões indicarem um saldo inferior ao registrado em dezembro - quando o Caged ficou negativo em 654.946 empregos -, analistas afirmam que o resultado de janeiro não poderá ser classificado de positivo, pois tradicionalmente este é um mês de geração de postos de trabalho.

A previsão da LCA Consultores é a de que o saldo negativo chegue a 170 mil vagas. Já a estimativa da Opus Gestão de Recursos é mais elevada, com a perspectiva de perda entre 250 mil e 300 mil postos de trabalho. Segundo o economista-chefe da Opus Gestão de Recursos, José Marcio Camargo, a perda de empregos nos meses de dezembro é considerada normal, enquanto em janeiro o comportamento usual é de geração de postos de trabalho. Por isso ele destaca que os números de janeiro não devem ser considerados positivos

"Se for esse o número (saldo negativo de 250 a 300 mil empregos), será pior do que o que aconteceu em dezembro porque, sazonalmente, o resultado de geração de empregos em janeiro é positivo e em dezembro é negativo", explicou.

O economista da LCA Consultores, Fabio Romão, corrobora a avaliação. "Se for confirmada a perda de 170 mil vagas, será um resultado bem abaixo do que janeiro costuma registrar. Normalmente, o saldo fica positivo em torno de 100 mil vagas", disse. Em janeiro de 2008, o saldo de contratações e demissões do Caged foi positivo em 142.921 empregos e em janeiro de 2007 o resultado também foi positivo, em 105.468 vagas.

A LCA calculou que a perda de empregos de dezembro, quando dessazonalizada, equivale a um saldo negativo de 190 mil postos. Já a previsão da consultoria para janeiro, com ajuste sazonal, corresponde ao fechamento de 150 mil empregos. "Ou seja, a queda é menor que a de dezembro, mas ainda assim se registra um fechamento importante de vagas. Os dados de dezembro e janeiro, com ajuste, ficam bem mais próximos", ressaltou Romão.

Fevereiro

A previsão para o mês de fevereiro é que o saldo de empregos continue negativo, registrando mais demissões do que contratações. A LCA Consultores espera um resultado negativo de 20 mil vagas, ainda ruim para o mês, que gerou 204.963 empregos em fevereiro de 2008 e 148.019 em fevereiro de 2007. "Apesar do saldo negativo, ainda assim vamos observar perda no ímpeto das demissões", disse Fábio Romão.

Na avaliação dele, o pior já passou. Ele ponderou que os resultados do Caged levam em conta apenas os empregos formais, que seguem todas as regras da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). "Se o Caged vai mal, quem vai mal é o emprego formal, mas não necessariamente o emprego como um todo porque pode haver aumento de vagas informais ou precarização do emprego", explicou.

Para o professor Antonio Moreira de Carvalho Neto, da PUC-MG, as demissões ocorridas em dezembro foram um tanto exageradas. "Foi a paranoia, talvez tenhamos passado pelo nosso pior momento", analisou. "Os números de janeiro deste ano devem ser um pouco piores que os de janeiro do ano passado, mas não acho que vá ser dramático", acrescentou.

Carvalho Neto citou que os números de vendas de automóveis já mostraram recuperação e que os sindicatos têm fechado muitos acordos para evitar demissões. Apesar disso, ele acredita que o setor de comércio deve registrar demissões mais intensas em razão das dispensas de trabalhadores temporários contratados para o fim do ano.

Já José Marcio Camargo avalia que o pior ainda está por vir. "Eu sou um pouco mais pessimista e acho que o pior não passou. O desemprego deve continuar a aumentar ao longo de 2009. A redução de demanda é uma coisa importante, a crise internacional é muito grave e o Brasil não vai passar ileso", afirmou.

Na avaliação de Camargo, a recuperação dos empregos só deve ocorrer em 2010. "Não estou totalmente certo de que isso vá ocorrer este ano", destacou. Ele acredita que a taxa média de desemprego no País deve encerrar 2009 em 9,5%, bem acima dos 7,9% apurados em 2008 pelo IBGE. "Historicamente já tivemos taxas maiores, de 13%, mas não podemos esquecer que estamos apenas no começo da crise e não sabemos até onde ela vai", disse.

Para o professor Jorge Pinho, da UNB, as demissões em dezembro representaram um sinal de alerta, uma vez que o mês não costuma registrar saldo negativo de empregos. "Dezembro não é tradicionalmente um mês ruim. Normalmente o comércio está muito aquecido no Natal e não costuma ser ruim. Se houve resultado ruim em dezembro, isso é um sinal. Não quero ser pessimista, mas temos de ser realistas", avaliou.

Ele ressaltou que a indústria é sempre o primeiro alvo atingido durante uma crise, e que somente depois os efeitos se propagam pelo comércio e serviços, o que deve ocorrer nos próximos meses, a partir de março. "A iniciativa privada funciona com base numa agenda. O governo precisa adotar ações no sentido de aquecer a economia, gerar empregos e distribuir renda", afirmou.

Pinho avalia que a crise é muito forte e profunda e que o governo demorou para tomar medidas para reverter o processo de demissões. "Deveriam ter adotado medidas em meados do ano passado, quando os números de emprego ainda eram favoráveis. Havia uma euforia no País, apesar dos sinais claros de que haveria crise no futuro", declarou.

Para ele, é necessário reduzir a carga tributária e aproveitar o superávit primário para gerar empregos. "É preciso começar a gastar o excesso de gordura que o governo juntou tanto tempo no superávit primário para gerar emprego, reativar comércio e as encomendas de indústria", citou.

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