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Itaú-Unibanco põe América Latina na mira

A intenção de tornar o Itaú-Unibanco um competidor global deverá passar pela compra de instituições em mercados emergentes, segundo Pedro Moreira Salles, presidente do Conselho de Administração do novo grupo. Talvez tenhamos mais vantagens comparativas em mercados menos maduros.

Agência Estado |

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O Chile pode ser o primeiro alvo do plano de internacionalização. "É um país onde pensamos ampliar nossa presença", disse, em teleconferência com analistas, o presidente-executivo do grupo, Roberto Setubal.

Outros destinos com maior atenção entre os países vizinhos são Colômbia, Peru e México. Apesar da ênfase na América Latina, o executivo não descarta outras regiões. "Tem a possibilidade de fazer incursões em outros países na área de cartão de crédito."

Desde a compra do BankBoston, em 2006, o Itaú já atua na Argentina e no Chile e essas operações devem ser ampliadas. "Mas não estamos no México, Colômbia e Peru, que são países com estabilidade econômica." Recentemente, a área de private banking do Itaú declarou interesse em comprar uma instituição no México.

Salles reafirmou que o anúncio da fusão foi fruto de um processo de negociação de 15 meses que tinha como principal objetivo formar uma instituição com escala global. "Acho estranho até hoje não ter nascido nenhuma multinacional brasileira da área financeira."

O sócio-líder da área financeira da consultoria KPMG, Ricardo Anhesini, observa que o momento atual, de grande incerteza no cenário internacional, vai impor uma dose de precaução nas negociações. Para ele, aquele comportamento frenético de antes da crise, em que uma empresa anunciava uma compra e no dia seguinte o concorrente anunciava outra, não deve se repetir.

É claro que as instituições vão aproveitar as oportunidades do mercado, até porque os ativos estão tendo grande depreciação, diz ele. "Cada instituição vai avaliar a sua realidade e traçar suas estratégias de forma cautelosa."

O Itaú confirmou ontem os principais dados do balanço do terceiro trimestre. O lucro líquido entre janeiro e setembro alcançou R$ 5,9 bilhões, crescimento de 11,9% em relação a igual período do ano passado.

A instituição havia antecipado o resultado para a segunda-feira da semana passada, para aliviar as incertezas de investidores sobre a exposição aos derivativos tóxicos.

Ontem, o banco trouxe números mais detalhados. Um deles mostrou que o lucro no terceiro trimestre chegou a R$ 1,97 bilhão, expansão de quase 26% na comparação com o R$ 1,57 bilhão do mesmo período de 2009. O índice de inadimplência (operações vencidas há mais de 60 dias) saiu de 4,7% para 4%.

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