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SÃO PAULO - O Itaú Unibanco é mais uma instituição a identificar "pit stop" à vista no ciclo de aperto monetário. Em relatório divulgado há pouco, o departamento econômico da instituição comenta que a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou que o Banco Central está mais confortável com a perspectiva para a inflação.

SÃO PAULO - O Itaú Unibanco é mais uma instituição a identificar "pit stop" à vista no ciclo de aperto monetário. Em relatório divulgado há pouco, o departamento econômico da instituição comenta que a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou que o Banco Central está mais confortável com a perspectiva para a inflação. A linguagem mais leve, segundo o banco, modifica o tom duro de comunicados formais anteriores (a ata de junho e o Relatório de Inflação do segundo trimestre), mas vem em linha com sinais recentes do BC, incluindo a própria decisão de desacelerar o ritmo das elevações do juro básico. O Itaú Unibanco vê manutenção da Selic na reunião do Copom em 1º de setembro por acreditar que o cenário para inflação e atividade permanecerá benigno e permite (temporariamente) à autoridade monetária interromper o ciclo de alta. No entanto, o cenário do Itaú Unibanco de médio prazo aponta para a necessidade de novos aumentos de juros, já que os determinantes da demanda (como emprego, renda, confiança e crédito) continuam sinalizando uma provável retomada no segundo semestre. "Acreditamos que o reaparecimento dos riscos inflacionários levará o BC a apertar a política monetária novamente em janeiro de 2011 (ou, talvez, mais cedo). Projetamos a taxa Selic em 10,75%, ao final de 2010, e em 12,00%, ao final de 2011", afirmam o economista-chefe Ilan Goldfajn e o economista Mauricio Oreng. "Acreditamos que a ata sinaliza estabilidade na taxa de juros para a próxima reunião, em 1o de setembro, em linha com nossa previsão após a decisão e o comunicado da semana passada", afirmam os economistas. Na avaliação da ata divulgada ontem, o Itaú Unibanco acrescenta que o Copom enxerga um quadro de inflação que melhora tanto de forma quantitativa como qualitativa. No que se refere às projeções, as estimativas oficiais de inflação se reduziram em todos os horizontes relevantes. No cenário do mercado, os modelos do BC apontam para um IPCA ao redor do centro da meta de 4,5%, em 2011. A projeção para 2012, que já estava abaixo do centro da meta, caiu ainda mais. "Na avaliação qualitativa do cenário, o Copom destacou os ' sinais mais claros ' de redução dos riscos inflacionários. Primeiro, devido às incertezas sobre a economia global: dado o risco de retração da atividade econômica internacional (especialmente no G3), as autoridades veem maior chance de um impacto desinflacionário local em função dos preços internacionais. O segundo fator confortante para a inflação, na visão do BC, é o desaquecimento da atividade doméstica", explica o Itaú Unibanco. Segundo a instituição financeira, o Copom acredita que a retirada dos estímulos concebidos durante a crise - incluindo o atual aperto monetário -, em conjunto com a desaceleração global já citada, ajudou a esfriar o ímpeto da demanda. Na visão deles, os efeitos remanescentes de impulsos fiscais e a ação dos bancos oficiais continuarão promovendo o crescimento, mas já há sinais de que a economia caminha em direção ao seu equilíbrio de longo prazo. O Copom também indicou ter subido os juros como meio de "potencializar o efeito" (desinflacionário) das mudanças recentes no cenário, como forma de minimizar os riscos. A autoridade monetária mantém a promessa de "eventualmente" adequar o ritmo de ajuste nos juros ao balanço de riscos para a inflação. (Angela Bittencourt | Valor)

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