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Itaú terá mais ações, mas poder será compartilhado

A operação entre Itaú e Unibanco é tratada pelas duas instituições como uma fusão. No entanto, a designação não é aceita por todos os analistas.

Agência Estado |

O argumento é que o Itaú tem mais que o dobro do tamanho do Unibanco e teria pago um prêmio de até 160% pelo negócio - porcentual calculado com base no valor das ações ordinárias (ON) do Unibanco na última sexta-feira. Em dinheiro, seriam quase R$ 25 bilhões.

Os presidentes do Itaú, Roberto Setubal, e do Unibanco, Pedro Moreira Salles, negaram essa hipótese. "É uma reorganização societária", disse Moreira Salles. Na nova estrutura, foi criada uma holding que comandará as operações do banco resultante da fusão. Trata-se da IU Participações, que terá 50% das ações ordinárias nas mãos dos atuais controladores do Unibanco (família Moreira Salles) e 50% com os atuais controladores da Itaúsa (famílias Vilela e Setubal).

A fusão cria a maior empresa financeira do Hemisfério Sul e a 17ª do mundo pelo critério de valor de mercado (que multiplica o número de ações pela sua cotação em bolsa de valores). Os ativos somados dos dois grupos chegam a R$ 575 bilhões e a carteira de crédito, a R$ 225,3 bilhões. O Bradesco, até então líder do ranking dos bancos privados brasileiros, tinha ativos de R$ 422,7 bilhões e uma carteira de empréstimos de R$ 197,3 bilhões ao fim de setembro.

Moreira Salles, que comandará agora o Conselho de Administração da IU Participações, disse que as duas instituições já haviam conversado - sem sucesso - sobre uma associação há dez anos. O processo que acabou desembocando na fusão anunciada ontem foi iniciado há cerca de 15 meses, na casa dele.

Naquela época, o espanhol Santander começava a negociar a compra do holandês ABN Amro em conjunto com outros dois bancos, o britânico RBS e o belga-holandês Fortis. No Brasil, o ABN era dono do Banco Real. "Tivemos a percepção de que se formava um novo tipo de concorrência", disse. "Teríamos um concorrente de escala global. Até então, os estrangeiros eram pequenos por aqui." A transação entre o ABN e o consórcio de fato evoluiu e hoje o Santander controla o Real - juntos, os dois bancos formam a quarta maior instituição financeira do Brasil.

Moreira Salles e Setubal, que será o presidente-executivo da IU Participações, destacaram que o objetivo principal da associação é a internacionalização. Não neste momento, por causa do tempo que levará o próprio processo de integração dos dois bancos.

Apesar da ressalva, os dois banqueiros disseram que o caminho natural para uma eventual expansão externa passa pelos países emergentes. "Não sei se teríamos vantagens em entrar em mercados já maduros (como os EUA)", disse Setubal. Segundo ele, o caminho natural seria a América Latina. Ele citou como possibilidades México, Peru e Colômbia, "que têm tido estabilidade econômica".

A julgar pelo comportamento das ações dos dois bancos na Bovespa, os investidores aprovaram o negócio. Os papéis preferenciais (PN) do Itaú subiram 16,37% e os ordinários (ON), 2,35%. As ações PN do Unibanco avançaram 20,99%, as ON, 121,13%, e as Units (mais líquidas) ganharam 8,95%.

Segundo alguns analistas, a crise internacional apressou a fusão. Setubal e Moreira Salles relativizaram esse efeito. Admitiram, porém, que a tensão provocada pelas dúvidas sobre a exposição dos dois bancos aos "derivativos tóxicos" foi fundamental para a antecipação dos balanços dos dois grupos. Ambos divulgaram os resultados do terceiro trimestre antes da data originalmente marcada.

"Nas últimas duas a três semanas, começou a haver um ruído de que bancos brasileiros teriam um subprime", disse Moreira Salles. "Se extrapolou que isso poderia estar contaminando o mercado como um todo e os bancos em particular. No nosso caso, ouvimos números de que teríamos derivativos com clientes do tamanho de nossa carteira de crédito. Mostramos que era R$ 1 bilhão, não R$ 30 bilhões, R$ 40 bilhões que eram falados."

Por ora, Moreira Salles e Setubal disseram que nada muda para funcionários e clientes. "Nossa intenção é manter todas as agências e não haverá programas de demissão", frisou Setubal. No futuro, porém, os dois reconhecem que será preciso ter uma marca única, que provavelmente será definida a partir de pesquisas com clientes e com o público em geral.

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