Entidade foi apresentada como exemplo bem sucedida no Guia para Criação de Instituições de Microcrédito

Apesar de ser uma ONG que atua numa pequena área de Pernambuco, a Acreditar conta com um admirador de peso – a Fundação Itaú Social, instituição ligada ao Itaú Unibanco. A Acreditar aparece como o principal estudo de caso e um exemplo a seguir dentro do “Guia para a Criação de Instituição de Microcrédito”, uma espécie de manual básico sobre o tema, lançado pela fundação para orientar a formação de entidades nessa área. “O trabalho da Acreditar é um belo exemplo na área de microcrédito”, diz Denise Gibran Nogueira, atualmente gerente de sustentabilidade do Itaú Unibanco que acompanhou o processo de estrutura da Acreditar. “Ela virou uma referência para quem está começando nesta área.”

O que chama a atenção na entidade pernambucana é sua peculiar trajetória. O ponto de partida da Acreditar não foi o mercado financeiro, mas um projeto pedagógico criado pelo teólogo pernambucano Abdalaziz Moura. Depois de atuar em organizações ligadas à Igreja Católica, Moura fez um curso de agricultura orgânica no Chile e passou a transferir as técnicas de cultivo naturais a jovens agricultores do estado. A convivência com as limitações da área rural o levou a fundar, em 1989, o Serta (Serviço de Tecnologia Alternativa). A entidade passou a atuar como uma extensão do ensino formal para jovens que trabalhavam na terra. Os programas do Serta chegam a mais de 60 municípios de Pernambuco, reunindo 130 mil estudantes e cinco mil professores.

Em 2001, a entidade decidiu expandir as iniciativas para a área de finanças. Criou um fundo rotativo de crédito e entregou a gestão a um grupo de adolescentes que atuavam na região do município de Chã de Alegria, a xx quilômetros da capital. O projeto era uma espécie de curso prático em educação financeira, com ênfase em empreendedorismo. Incentivava que os jovens utilizassem o dinheiro do fundo para financiar a criação de novos negócios capazes de gerar trabalho e renda. Com um aporte inicial de R$ 10 mil oferecidos pela Fundação W.K. Kellogg e contribuições regulares de 120 jovens, o fundo beneficiou cerca de 800 empreendedores. Na outra ponta, os jovens que faziam a gestão do fundo desenvolveram do zero modelos de avaliação e de concessão de crédito.

Profissionalização

No final dos anos 90, o Serta e os próprios jovens perceberam que o fundo rotativo extrapolara as fronteiras do exercício pedagógico. E nem a entidade, nem os gestores juvenis tinham capacidade de preservar e expandir a iniciativa atuando no mercado de crédito. “Tínhamos criado um bom modelo de convivência com os empreendedores”, diz Lilian. “Mas não tínhamos conhecimento técnico para atender as normas do mercado e conseguir recursos.”

Para profissionalizar o projeto, o Serta pediu auxilio à Fundação Itaú Cultural, que vinha desenvolvendo um trabalho nessa área. A fundação contratou uma consultoria, ajudou a organizar o plano de negócio e a selecionar executivos entre os jovens que já atuavam com o fundo. “A gestão do fundo era praticamente artesanal”, diz Denise.... “Trabalhamos juntos para organizar a estrutura”. Foi dessa atípica mistura que reuniu, de um lado a experiência pessoal de um grupo de jovens agricultores e, de outro, as modernas técnicas de gestão financeira de um grande banco, que nasceu a Acreditar em 19 de outubro de 2006.

Hoje o grande desafio da entidade é ampliar o volume de recursos para ganhar musculatura e poder se candidatar a receber quantias maiores de instituições como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social. Hoje a Acreditar tem R$ 200 mil investidos em 400 projetos. Para pleitear recursos do BNDES precisa ter no mínimo R$ 1,5 milhão.

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