Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Itaú e Unibanco unem suas forças em mercado bancário

Rio de Janeiro, 3 nov (EFE).- Itaú e Unibanco, dois dos maiores bancos privados do Brasil, anunciaram hoje que fundirão suas operações para criar um gigante de nível mundial, em resposta à crise financeira internacional.

EFE |

O acordo tinha sido negociado em segredo durante os últimos 15 meses pelos mais altos executivos das duas instituições, duas empresas familiares e tradicionais que representam o conservador sistema financeiro brasileiro.

"Esta operação surge em um momento de grandes mudanças e oportunidades no mundo, particularmente no setor financeiro", destacaram ambos bancos no anúncio conjunto.

Diversos especialistas assinalaram hoje que, embora a operação tenha se iniciado antes que se agravasse o cenário mundial e não estivesse relacionada à atual fase da crise, seu desenlace foi acelerado por um processo que leva a uma maior concentração do sistema financeiro global.

"O novo banco se consolida em um cenário que encontra o Brasil e seu sistema financeiro em situação privilegiada, com enormes possibilidades de melhorar ainda mais sua posição relativa no cenário global", acrescenta o texto.

O anúncio surpreendeu o mercado financeiro justamente quando o Brasil começa a sofrer os primeiros sintomas concretos da crise, com forte escassez de crédito, desaceleração da economia e diminuição da confiança dos consumidores e empresários.

"Com essa associação, Itaú e Unibanco reafirmam sua confiança no futuro do Brasil, neste momento de grandes desafios no ambiente econômico e no mercado financeiro mundial", assinalaram os bancos no comunicado.

O Itaú enfoca a operação como parte do movimento de "fortalecimento das grandes empresas nacionais brasileiras", ao estilo do ocorrido em outros setores, com a ampliação da capacidade competitiva.

Itaú e Unibanco são o segundo e o terceiro maiores bancos privados do Brasil, respectivamente. A nova instituição, "Itaú Unibanco Holding", somará ativos combinados de R$ 575 bilhões (cerca de US$ 263,8 bilhões), com 18% da rede bancária do Brasil.

Números comparados pela empresa de consultoria Economática até 31 de outubro indicam que o novo banco será a quarta empresa latino-americana em valor de mercado (US$ 41,323 bilhões), atrás das brasileiras Petrobras (US$ 109,4 bilhões) e a Vale (US$ 67,9 bilhões) e a mexicana América Móvil (US$ 54,5 bilhões).

O Governo Federal que vem, reiteradamente, defendendo a solidez do sistema financeiro brasileiro e de seus bancos em meio à crise, deu hoje seu respaldo ao negócio, nas palavras do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A fusão é propícia "na medida em que fortalece as instituições" e ajuda a fluir créditos que permanecem travados no sistema, disse Mantega a jornalistas em Brasília.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi informado do negócio ontem em uma base aérea de São Paulo, quando retornava ao Brasil de uma viagem internacional.

Embora as duas instituições "já sejam fortes, conhecidas e tradicionais, vão ter um poderio financeiro maior, além de se transformarem em uma das maiores do mundo", acrescentou Mantega.

A operação deve ser aprovada pelo Banco Central e o Governo Federal através de organismos de regulação do mercado.

As ações das duas instituições seguirão sendo cotadas separadamente nas bolsas de São Paulo e Nova York, pelo menos até que a fusão seja aprovada pelas autoridades.

O novo banco tem "capacidade de competir no cenário internacional" com as grandes instituições financeiras mundiais, segundo os sócios.

No Brasil, o negócio financeiro no setor privado é dominado pelo Bradesco, enquanto os estatais Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal dominam boa parcela do mercado.

Entre os bancos estrangeiros, destacou por sua agressiva estratégia o espanhol Santander, que após comprar, há um ano e meio, o Banco Real -filial brasileira do holandês ABN Amro-, transformou-se no terceiro grupo financeiro do país e expressou sua decisão de ser o primeiro.

O Itaú tem forte presença em alguns países do Mercosul, especialmente no Uruguai e Argentina. Também tem operações nos Estados Unidos, Caribe, Europa, e Ásia. EFE ol/jp

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG