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Itaú e Unibanco. Ou Setubal e Salles

O Unibanco e o Itaú até hoje são profundamente influenciados pelo estilo de duas figuras: o embaixador e ministro Walther Moreira Salles e o engenheiro e industrial Olavo Egydio Setubal. O primeiro comandou por décadas a casa criada por seu pai no interior de Minas Gerais e forjou uma forte cultura de relacionamento, deixando uma herança de diplomacia para o Unibanco.

Agência Estado |

O segundo, que assumiu a direção do banco do tio no fim dos anos 50, seguiu o caminho dos números. Transformou a casa num banco de engenheiros, obcecados pela precisão, pela eficiência e pela disciplina.

Em uma certa época, dos 18 diretores da equipe do Itaú, 12 eram engenheiros, quase todos formados pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, instituição onde Olavo e Roberto (atual presidente) estudaram. Os engenheiros não são mais maioria, mas continuam no comando. O alto escalão do Unibanco tem profissionais de renome, como Pedro Malan e Marcos Lisboa, com extensa formação acadêmica no Brasil e no exterior e passagens pelo Banco Central e outros órgãos do governo, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

De certa forma, o organograma é visto como um retrato dos dois estilos. Na opinião do presidente da Austin Ratings, Erivelton Rodrigues, o Itaú é um banco mais conservador, mais restritivo para conceder crédito e mais criterioso na tesouraria. "O Unibanco tem diretores de peso, com excelente formação acadêmica, bons relacionamentos, mas sem um perfil executor. Já o Itaú faz acontecer."

A garagem da diretoria dos dois bancos é vista como outro sinal do perfil dos dois, segundo clientes. Na do Itaú, os carros não chamam atenção, são praticamente padronizados. Até dez anos atrás, Roberto Setubal andava num Ford Escort, sem motorista, dizem amigos. "Na garagem do Unibanco, imperam os modelos importados."

No início dos anos 70, durante as negociações de fusão entre o Bradesco e o Unibanco, Moreira Salles e seus diretores viajavam para São Paulo em jato particular, enquanto a turma de Amador Aguiar voava em avião de carreira. Contam que a equipe do Bradesco se impressionou com as salas dotadas de ar condicionado e com o linguajar sofisticado do pessoal do Unibanco. Era um banco moderno, que gostava de inovação.

Essa atitude interna, que passou de geração para geração, acabou sendo incorporada à imagem pública do banco. "O Unibanco tem a cara da diplomacia, da elegância, sabe lidar melhor com as grandes fortunas que o Itaú. Os profissionais conhecem bem as famílias, a conversa é mais íntima", diz o presidente do conselho da construtora JHSF, Fabio Auriemo, cliente e amigo da família Moreira Salles. "Já o Itaú tem uma rede maior, um grandes diferencial no varejo."

Embora a personalidade de Moreira Salles ainda influencie o banco, o Unibanco ficou sem rumo nos últimos anos. Com a morte do ex-embaixador, em 2001, surgiram os rumores de venda. O nome mais cogitado era o do Citibank. "O Unibanco tinha um drama de sucessão", diz uma fonte. Pedro, o economista, foi o único dos filhos de Moreira Salles que se interessou pelo negócio da família. "O banco ficou perdido. Era um grande banco de investimentos, mas tem fechado poucos negócios. Ele também não compra ninguém faz tempo. Antes, era reconhecido como um banco inovador. Agora não é mais."

A última grande compra do Unibanco, o Banco Bandeirantes, foi feita em 2000. O Itaú, por sua vez, nunca abandonou a sua estratégia de crescer incorporando novos bancos. A mais recente havia sido a do Bank Boston, há dois anos. O banco dos Setubal reforçou sua área de investimentos ao comprar o BBA, em 2002.

Embora sejam diferentes, há quem acredite que a instituição mais parecida com o Itaú era o Unibanco. A clientela, as práticas bancárias e a forma de tratar o cliente eram mais ou menos comuns entre os dois. A imagem de solidez e de conservadorismo do Itaú acabaram atraindo clientes especiais ao longo dos anos. A criação do Personnalité, em 1995, e, mais recentemente, a compra do Bank Boston reforçaram essa estratégia.

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