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A fusão de Itaú-Unibanco e a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil (BB) levou as instituições brasileiras ao grupo dos dez maiores bancos das Américas em valor de ativos. Antes dos negócios serem anunciados, Itaú e BB ocupavam o 13º e 11º lugar, respectivamente.

Agora estão em 6º e 8º lugar, segundo levantamento da empresa de informações financeiras Economática, com os 40 maiores bancos do continente.

Além dos negócios no mercado interno, a escalada dos dois bancos também foi impulsionada pelas fusões e aquisições feitas nos Estados Unidos desde o início da crise. O Bank of America, até então terceiro no ranking, comprou o Merrill Lynch e subiu para vice-liderança. Já o Wells Fargo, que ocupava o sétimo lugar, levou o Wachovia (6º colocado) e se transformou no quinto maior.

A expectativa é que os negócios continuem aquecidos, tanto no mercado interno como no exterior, e promovam novas alterações no ranking. Lá fora, a grande incógnita é o futuro do terceiro maior banco, o Citibank, que entrou em dificuldades depois que suas ações despencaram na semana passada e, portanto, pode ser vendido.

Por aqui, o BB vai manter seu apetite por novas aquisições até alcançar o primeiro lugar no ranking nacional, perdido para Itaú-Unibanco. No alvo, estão Banco Votorantim e Banco de Brasília (BRB). O terceiro lugar no ranking nacional também tem causado inquietação no rival Bradesco, o 11º no ranking das Américas.

Ao contrário de movimentos passados, dessa vez a concentração, que volta com força total no setor bancário mundial, tem sido vista até com bons olhos. "Neste momento de crise é bom ter bancos mais sólidos e fortes para resistir aos choques externos", afirma o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Alkimar Moura, ex-diretor do Banco Central (BC).

Ele avalia que a consolidação do setor, que vai concentrar 51% dos depósitos totais nas mãos de três bancos (Itaú-Unibanco, BB e Bradesco), não significa ter menos competição. "Número de empresas nem sempre determina grau de competição." O economista Luiz Gonzaga Belluzzo completa ainda que, no mundo inteiro, o setor bancário é concentrado.

Ele acredita que o fortalecimento do BB (com as aquisições e medidas adotadas pelo governo para manter o crédito no País) pode trazer outras instituições para a oferta de crédito. "Um banco público mais forte pode adotar medidas anticíclicas para amenizar a contração do crédito." Nem todos, porém, entendem dessa forma. Alguns avaliam que esse fortalecimento pode ter efeito contrário e comprometer a solidez do banco lá na frente.

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