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Itamaraty teme que crise argentina prejudique Doha

O Itamaraty teme que a crise na Argentina contamine as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). A partir de amanhã, ministros de todo o mundo desembarcam em Genebra para a fase final das negociações da Rodada Doha.

Agência Estado |

Para muitos, será a última chance de acordo. Mas, ontem, os discursos eram de intransigência e demonstrações de que não há espaço para concessões. Os indianos chegaram a ameaçar abandonar o encontro.

A OMC precisa fechar um entendimento sobre como será feito o corte de tarifas de produtos industriais. Os países ricos alegam que apenas com isso é que poderão oferecer uma liberalização dos setores agrícolas.

Mas um dos alertas mais críticos foi dado ontem pelo ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath, ainda de Nova Délhi. Segundo ele, a Índia tem o direito de abandonar a reunião se seus interesses não forem atendidos. Nath garantiu que os pedidos do país no setor agrícola "não são negociáveis". Ele se recusou a eliminar impostos de importação em setores como têxteis, químicos e automotivos, como querem americanos e europeus. O Brasil também hesita em aceitar a proposta.

Para o embaixador americano Peter Allgieier, as declarações dos países emergentes são "preocupantes". Já o Itamaraty está preocupado com a situação da Argentina. O negociador-chefe de Buenos Aires, Ernesto Stancanelli, deixou claro que "a OMC ainda está distante de um acordo e de convergência nas posições". "O que está sobre a mesa não está de acordo com interesses dos países em desenvolvimento."

Para o Itamaraty, as flexibilidades que a OMC apresenta no setor industrial já são suficientes para que todos os países no Mercosul escolham setores que seriam poupados de abertura. Mas, diante da crise na Argentina, o Itamaraty prevê que os negociadores de Buenos Aires terão uma margem de manobra pequena para concessões.

O grupo de 11 emergentes, que inclui o Brasil, criticou ontem a falta de equilíbrio entre o que é pedido das economias em desenvolvimento e o que é exigido dos ricos. " A ambição é onerosa aos emergentes", afirmou a África do Sul, em nome do grupo. "Não há legitimidade para o pedido de mais abertura." Ontem, o embaixador Roberto Azevedo disse que uma maior ambição é "injustificada".

Segundo ele, a atual proposta exigiria que o setor têxtil cortasse as tarifas em 33%, e o Mercosul cortaria 35% no geral. Ele não nega que os argentinos continuam com uma posição difícil nas negociações, mesmo depois das conversas entre os países do Mercosul no início da semana no Brasil. "Falta muita coisa ainda para um acordo."

Vários outros países também demonstraram preocupação. O Japão alertou que há muitos pontos ainda sem solução. A Turquia usou a palavra "inaceitável" para descrever a proposta. A China também está insatisfeita. Quer um corte maior das tarifas dos países ricos para poder exportar seus produtos e pede um número maior de anos para se adequar às novas regras. Para Pequim, americanos e europeus conseguirão evitar a importação de US$ 100 bilhões se a atual proposta for mantida.

Banana

Para tentar evitar o colapso de um acordo, o diretor da OMC, Pascal Lamy, propôs ontem um entendimento sobre o comércio de bananas. Os europeus reduziriam suas tarifas de 176 para 150 por tonelada em 2009. Para 2015, reduziriam para 116. Os europeus já afirmaram que aceitarão o corte. Mas Equador, Costa Rica, Panamá e outros latino-americanos já recusaram a proposta.

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