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Italianos querem recuperar galpões portuários no Rio

Construídos no fim do século 19 para armazenar cargas de trens, dois galpões localizados na zona portuária do Rio deverão abrigar uma escola de restauro, voltada à recuperação de prédios antigos, e outra de audiovisual. O projeto de recuperação dos espaços e de implementação das escolas está orçado em R$ 30 milhões e foi abarcado pela União dos Italianos no Mundo (UIM), uma entidade que tem entre seus objetivos a promoção de intercâmbio da Itália com outros países e está buscando parceiros por lá para levá-lo adiante.

Agência Estado |

Duas instituições daquele país - referência mundial quando se fala em know-how em restauro -, uma de Roma e outra de Bolonha, já se mostraram interessadas, disse o presidente da UIM no Rio, Rafael Zibelli Neto, que prefere não divulgar os nomes ainda. A idéia é que a primeira tarefa dos restauradores seja justamente a reforma dos galpões, que, juntos, ocupam uma área de 7.500 metros quadrados.

Desativados nos anos 80 e abandonados, eles foram alvos de saques. Ladrões levaram grande quantidade de ferro fundido que pertenceu à Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), criada em 1957 e extinta 50 anos depois. Não restou quase nada: só as paredes estão em pé e não há cobertura.

Em estilo eclético, a fachada de tijolo aparente, imponente, chama a atenção na paisagem da área do cais do porto. A estrutura metálica interna está corroída, uma vez que fica exposta à chuva. Por todo lado, cresce vegetação. Os galpões já chegaram a ser usados como estação ferroviária (a malha era ligada à da Central do Brasil).

O projeto, desenvolvido pelo Instituto Pereira Passos (IPP) desde 2004, prevê não só a recuperação da construção, mas também a instalação de nova arquitetura interna e a implementação das duas escolas e seu funcionamento por três anos. A instituição que se interessar em ocupar o local deverá não só fazer as obras, mas também gerir os novos espaços. O objetivo é formar mão-de-obra qualificada tanto na área de restauro quanto na de audiovisual. Neste momento, a UIM tenta obter os benefícios da Lei Rouanet para atrair os investidores.

Tudo faz parte da tentativa de revitalizar a região, iniciativa antiga da prefeitura do Rio, que adquiriu o terreno dos galpões, da Cidade do Samba (onde desde 2005 ficam os barracões das escolas de samba do Rio) e da Vila Olímpica da Gamboa (freqüentada por moradores das comunidades pobres vizinhas) com essa intenção. A Cidade do Samba e a Vila Olímpica já foram abertas; agora, as atenções se voltam para os galpões.

O diretor de urbanismo do IPP, Antonio Luiz Correia, lembra que até hoje "só dinheiro público" foi investido na área. "Os recursos privados ainda não se mostraram." A zona portuária, aponta, tem terrenos muito grandes do governo federal que não são usados - ao contrário do restante do centro do Rio, que não tem mais para onde crescer.

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