O diretor paraguaio de Itaipu, Carlos Mateo Balmelli, disse ontem que as contas da hidrelétrica que seu país divide com o Brasil serão abertas aos organismos de controle das duas nações. No ato em que foi empossado como diretor, Mateo anunciou que também acordou com o chefe da parte do Brasil, Jorge Samek, a abertura do cadastro das empresas que fornecem serviços a Itaipu, a maior hidrelétrica do mundo em funcionamento.

"Nos comprometemos a fornecer toda a informação quando venha um pedido de relatório da Controladoria ou da Procuradoria, da Câmara dos Deputados ou de Senadores", disse Mateo. Segundo ele, esses critérios contribuirão para tornar a gestão transparente.

Até agora nenhum organismo público pôde fiscalizar os registros contábeis da represa, pelo menos no lado paraguaio. Os administradores argumentam que não podem permitir isso pelo caráter binacional da usina.

Mateo também ressaltou que as negociações com o Brasil sobre as reivindicações paraguaias de aumento de preço no excedente de energia comprado pelos brasileiros não serão fáceis.

"Quem acredita que isso vai a ser uma coisa fácil está enganando a opinião pública. (...) Se chegamos a abrir as despesas, o elenco de funcionários" será a primeiro passagem rumo a esses objetivos. Segundo ele, "negociar com o Brasil não é fácil" e a principal "carta" de seu país na mesa de negociações "vai a ser a seriedade" com que atuam.

Polêmica

Em Brasília, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que "está fora de questão" aumentar o preço que o Brasil paga para comprar a parte do Paraguai da energia de Itaipu. "O que está sendo pago por essa energia é o preço praticado internamente no Brasil, cerca de US$ 47 por megawatt/hora, que é mais ou menos o custo da energia de Jirau."

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