Teerã, 30 nov (EFE).- A decisão do Irã de construir dez novas usinas nucleares é consequência da resolução de condenação aprovada na sexta-feira pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), afirmou hoje o presidente do organismo iraniano de energia atômica, Ali Akbar Salehi.

Em declarações divulgadas pela imprensa local, o responsável iraniano revelou, além disso, que o regime dos aiatolás pretende construir as novas usinas de enriquecimento de urânio sob colinas e cadeias montanhosas para evitar que possam ser bombardeadas.

"Nós não tínhamos planos para construir mais instalações nucleares como a de Natanz, mas parece que o ocidente não quer compreender a mensagem de paz enviada pelo Irã", disse Salehi, citado pela televisão estatal.

"O ocidente adotou uma atitude frente ao Irã que obrigou o Governo a ratificar a construção de dez usinas similares à de enriquecimento de urânio de Natanz", onde aparentemente o Irã tem milhares de centrífugas escondidas sob o solo, acrescentou.

O Conselho de Governadores da AIEA aprovou na sexta-feira, com 25 votos a favor, três contra e seis abstenções, uma resolução de condenação a Teerã pela falta de transparência na gestão de seu programa nuclear.

A resolução condena o Irã, ainda, por ter ocultado a construção de uma nova planta de enriquecimento de urânio perto da cidade de Qom, a sudoeste de Teerã.

Sobre o novo projeto, Salehi detalhou hoje que as centrais serão construídas "no coração das montanhas" e que cada uma delas "terá capacidade para abastecer de combustível derivado do petróleo uma central como o reator de Bushehr", que a Rússia está construindo há uma década no litoral iraniano do Golfo Pérsico.

"As cinco novas localizações serão construídas no interior das montanhas de modo que não possam ser atacadas", acrescentou. EFE jm/pd

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