SÃO PAULO - A redução na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), implementada em dezembro último pelo governo federal, foi responsável pela venda de 60 mil a 80 mil veículos novos durante o primeiro bimestre deste ano. O volume representa uma fatia de 15% a 20% sobre o total vendido no período, segundo informação dada hoje pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider.

Caso as vendas mantenham o ritmo em março, a alíquota menor terá resultado em vendas adicionais de até 120 mil unidades durante o primeiro trimestre do ano.

Apesar do incentivo, a comercialização de 396,82 mil unidades nos dois primeiros meses do ano ficou 4,6% abaixo daquela verificada em igual intervalo de 2008, quando os efeitos da crise mundial ainda não eram sentidos no mercado brasileiro. Quando isso aconteceu, em setembro do ano passado, as vendas passaram a experimentar quedas mensais importantes, levando o governo a decidir pelo alívio fiscal, que derrubou os preços dos veículos entre 5% e 7%.

Quase que instantaneamente, as vendas inverteram o movimento e voltaram a crescer mês a mês. No entanto, já existe a expectativa de uma nova guinada para baixo, uma vez que o IPI está previsto para voltar aos patamares originais a partir de 1º de abril.

Na avaliação de Schneider, o fim do incentivo deverá resultar em recuo nas vendas em patamares parecidos com os observados quando da implementação da medida, ou seja, algo entre 15% e 20%. Ele garantiu que a entidade não trabalha com a hipótese de prorrogação da medida, apesar de isso já ter sido aventado até mesmo por setores do governo. " O governo foi bem claro de que a medida valeria até 31 de março " , contrapôs o executivo.

Mesmo assim, a entidade preferiu deixar para abril a divulgação de suas projeções atualizadas para o desempenho da indústria em 2009, deixando claro que irá esperar por uma definição a respeito do IPI.

(Murillo Camarotto | Valor Online)

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