SÃO PAULO - Um corte de 5,75 pontos percentuais na taxa básica de juros até o final deste ano geraria uma economia fiscal ao governo de mais de R$ 30 bilhões. Responsável pelos cálculos, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), acredita que só por essa economia financeira já seria indicado o corte da Selic.

O instituto, que é ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, pondera que o ganho deve compensar perdas previstas com arrecadação neste ano, devido à desaceleração da atividade, e dar fôlego para a continuidade de investimentos e programas sociais do governo que sustentem a expansão da economia local.

O estudo, assinado por João Sicsú, diretor de Estudos Macroeconômicos do instituto, chega a sugerir que um corte imediato de 5,75 ponto percentual para 7% ao ano - já na reunião da semana que vem do Comitê de Política Monetária (Copom) - geraria economia de R$ 43 bilhões nas despesas com juros.

"Neste momento, uma redução persistente e significativa do juro é uma medida que tem efeitos fiscais mais importantes do que os efeitos que provocaria sobre o lado real da economia", menciona o estudo, reforçando que a crise de confiança, vigente tanto entre empresários como entre consumidores não é facilmente contornada com custo do dinheiro mais baixo.

O instituto argumenta ainda que a despesa para pagamento de juros não gera empregos e renda, pois é o tipo de gasto público dirigido a quem "já possui suas necessidades de consumo satisfeitas".

Neste momento de crise, o Ipea acredita que a gestão fiscal ideal leva em conta as necessidade manter a atividade aquecida, reduzir o desemprego, a administrar dívida pública e melhorar as condições sociais no país.

Ainda que o aumento do gasto público não possa superar o gasto privado, o instituto avalia que essa atitude reverte as expectativas negativas e gera condições e incentivos para que o setor privado retome gastos e investimentos.

(Valor Online)

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