SÃO PAULO - Após quatro meses de consolidação do agravamento da crise internacional - com a quebra do do Lehman Brothers em setembro - o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou hoje um estudo, denominado primeiras análises, que trata da crise e seus efeitos no Brasil. Em sua parte conclusiva, a entidade desenha três cenários distintos, sendo que no melhor deles, a manutenção do nível de emprego no país seria possível apenas com um crescimento de 4% neste ano - aposta, aliás, que vinha sendo defendida abertamente apenas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Embora não haja parâmetros seguros que possam indicar até onde vai a contaminação da economia local com a crise global, na avaliação da entidade, as medidas adotadas até o momento pelo governo brasileiro "evitaram o pior".

Mas este "pior" ainda pode surgir considerando alguns dos cenários projetados pela entidade para este ano. No mais pessimista deles, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceria apenas 1% neste ano, com geração de somente 320 mil postos de trabalho, ampliando em 1,126 milhão o número de desempregados, o que faria a taxa de desemprego subir a 8,6%.

Na hipótese de uma expansão de 2,5% no PIB de 2009, a taxa de desemprego ficaria situada em 8,1%, com mais 806 mil desempregados, embora com geração de vagas em volume semelhante.

Já no cenário benigno, em que o país seria capaz de sustentar um crescimento de 4% neste ano, a geração de emprego formais ficaria próxima dos níveis recordes dos últimos dois anos, em 1,3 milhão de vagas, com o contingente de desocupados aumentando em apenas 154 mil. Nesse caso, a taxa de desemprego ficaria praticamente estável, em 7,7%, perante a taxa de 7,6% apurada em 2008.

O Ipea alerta, no entanto, que as simulações "são preliminares" e "buscam antecipar investigações mais aprofundadas" em andamento no instituto.

(Valor Online)

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