Um dia após a maior alta de juros definida pelo Banco Central em cinco anos, o Índice de Preços ao Consumidor - 15 (IPCA-15) deu importantes sinais de desaceleração da inflação, em semana recheada de boas notícias para o comportamento dos preços. A taxa de 0,63% relativa a julho e divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra significativo recuo em relação a junho (0,9%), confirma alguma perda de vigor nos reajustes de alimentos e está abaixo da média das estimativas do mercado financeiro (0,67%).

O IPCA-15 é uma espécie de prévia dos resultados do IPCA, índice que é referência para as metas de inflação do governo. Ambos são calculados pelo IBGE e diferenciam-se apenas no período de coleta. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 4,33% e em 12 meses, de 6,3%.

Nos últimos dias, outros indicadores de inflação, como IPC-S e IGP-M, divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), também mostraram que a inflação vem perdendo um pouco da força que vinha mostrando nos últimos meses. Os técnicos do IBGE não comentam os resultados do IPCA-15 mas, no documento de divulgação dos resultados, ressaltaram que os alimentos continuam exercendo a maior pressão sobre a taxa, mas desaceleraram o ritmo de alta em julho.

O grupo de alimentos e bebidas contribuiu com 0,4 ponto porcentual, ou 63% do IPCA-15 de julho, mas reduziu a variação de 2,3% em junho para 1,75% em julho. Importantes produtos nas despesas das famílias, como arroz (17,9% em julho e 2,82% em junho), pão francês (3,43% e 0,11%) e farinha de trigo (6,95% e 1,06%), mostraram resultados mais favoráveis para os consumidores.

Continuam muito pressionados os preços do feijão preto (6,47%), feijão carioca (17,07%), carnes (6,86%) e refeição fora do domicilio (1,89%). Marcela Prada, da Tendências Consultoria, observa que os alimentos continuam exercendo pressão forte sobre a inflação, mas o recuo do IPCA-15 em julho ante o mês anterior ocorreu "tanto pela desaceleração dos preços dos alimentos quanto por uma evolução mais favorável dos preços em geral".

Os produtos não-alimentícios subiram 0,29% em julho, bem menos que o 0,5% de junho. Segundo os técnicos do IBGE, puxaram para baixo os resultados desse grupo, especialmente, a variação negativa na energia elétrica (-0,35%) e a quase estabilidade (0,08%) no preço do gás de botijão, que tinha subido 1,49% no mês anterior.

Mesmo com os dados favoráveis, os economistas da LCA Consultoria divulgaram relatório no qual alertam que, "apesar dos indícios tranqüilizadores, avaliam que a desaceleração do IPCA seguirá lenta e irregular". O argumento é que parte da "relevante pressão de custos acumulada na cadeia produtiva ainda está por chegar aos preços ao consumidor".

De qualquer forma, a avaliação da LCA é que já passou o preocupante período em que o índice oficial de inflação subiu acima de 0,7%, como em maio e junho. A partir de agora, eles prevêem uma variação mensal em torno de 0,5% até o fim do ano. Mas, mesmo desacelerando,o IPCA anual de 2008 deverá ficar, segundo a consultoria, em 6,8%, ultrapassando o teto da meta do governo.

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