SÃO PAULO - Depois de apontar para baixo no começo do pregão, os contratos de juros futuros recuperam prêmios e oscilam próximos da estabilidade Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Segundo o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otavio de Souza Leal, a movimentação não tem relação com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) divulgado hoje. É um ajuste técnico, com a curva recobrando prêmio depois de um acentuado movimento de baixa iniciado na semana passada.

SÃO PAULO - Depois de apontar para baixo no começo do pregão, os contratos de juros futuros recuperam prêmios e oscilam próximos da estabilidade Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Segundo o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otavio de Souza Leal, a movimentação não tem relação com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) divulgado hoje. É um ajuste técnico, com a curva recobrando prêmio depois de um acentuado movimento de baixa iniciado na semana passada. Por volta das 11h40, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2010 marcava estabilidade, a 10,13%. Agosto de 2010 não era negociado. Janeiro de 2011, referência de mercado, subia 0,01 ponto, e marcava 11,29%. Entre os longos, o DI para janeiro de 2012 operava estável, a 12,12%. Janeiro 2013 declinava 0,01 ponto, projetando 12,18%. Janeiro 2014 ganhava 0,01 ponto, apontando 12,16%. A prévia da inflação oficial apontou alta de 0,19% agora em junho, recuando de 0,63% em maio. Para o mês completo, diz Leal, o IPCA deve continuar recuando, fechando ao redor de 0,10% a 0,15%. "É uma boa notícia, mas não é motivo para o BC baixar a guarda", pondera. Segundo Leal, esse recuo da inflação está muito concentrado em alimentos. E esse é um grupo muito volátil. Como exemplo, o economista aponta que, no caso de uma geada agora no inverno, o índice pode, facilmente, sair de deflação para inflação no prazo de um mês. O que tem ser levado em consideração são os núcleos de preço, que tiram itens mais voláteis da conta. Essas medidas, diz Leal, são sinal claro da existência de uma inflação mais persistente, ancorada na forte demanda local. Sinal disso é que, enquanto o índice cheio perdeu 0,44 ponto percentual (de 0,63% para 0,19%), os núcleos recuaram apenas 0,10 ponto no mesmo espaço de tempo (de 0,58% para 0,48%, na média). Ainda de acordo com o especialista, mais um motivo que não permite esperar um Banco Central menos incisivo no ajuste da taxa de juros é a atividade. Depois da queda nas leituras da indústria e varejo em abril, os indicadores antecedentes já sugerem variações positivas para o mês de maio. Fora isso, a criação de empregos segue firme. "Portanto, mesmo com esse recuo da inflação no curto prazo, não alteramos a nossa expectativa de que os juros serão elevados novamente em 0,75 ponto percentual na reunião de julho do Copom", conclui o economista. Na gestão da dívida pública, o Tesouro vende Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B). (Eduardo Campos | Valor)

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